Operação mira suspeitos de fabricar e distribuir anabolizantes no DF
São cumpridos 43 mandados de prisão e 64 mandados de busca e apreensão contra alvos; diligências ocorrem em cinco estados e no Distrito Federal
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (12), uma operação que mira uma organização criminosa voltada à fabricação clandestina, distribuição, marketing e escoamento de anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos adulterados em diversos estados do país.
Ao todo, são cumpridos 43 mandados de prisão contra líderes, articuladores logísticos e intermediários financeiros do grupo, além de 64 mandados de busca e apreensão pessoal e domiciliar, entre pessoas físicas e jurídicas, com caráter itinerante.
A Justiça ainda determinou o bloqueio de R$ 32 milhões dos investigados, valor identificado em contas bancárias, instituições financeiras e empresas ligadas aos alvos da operação.
Também foram apreendidos 25 veículos de luxo, entre eles um modelo elétrico de marca alemã, um carro esportivo, duas berlinas de marcas premium europeias, duas caminhonetes de grande porte, um SUV e uma motocicleta de alta cilindrada. A decisão permite ainda a apreensão de outros bens móveis de alto valor encontrados durante as diligências.

As medidas atingiram ainda 13 estabelecimentos comerciais e laboratórios de manipulação ligados ao esquema, que tiveram as atividades suspensas e foram fechados por ordem judicial.
Também foram bloqueados e tiveram a exclusão determinada 22 perfis nas redes sociais usados para divulgar os produtos e atrair clientes.
Produção clandestina de anabolizantes
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou a partir de provas obtidas durante a busca e apreensão realizada na residência de um dos investigados, apontado como líder de um dos núcleos do esquema. Na ocasião, o celular apreendido possuía um extenso histórico de mensagens que descrevia a estrutura criminosa em diferentes núcleos de atuação.
Os investigadores apuraram que o grupo produzia substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes em residências e depósitos improvisados, sem qualquer controle de esterilidade, pureza ou segurança sanitária.
Após a produção, eles aplicavam nomes em língua estrangeira e bandeiras de outros países nas embalagens e rótulos dos produtos, simulando importações de laboratórios inexistentes ou reproduzindo marcas já consolidadas no mercado para aparentar legitimidade.
Segundo a polícia, profissionais de diferentes áreas participavam da engrenagem do esquema, veja:
- Designers (responsáveis pela identidade visual das marcas clandestinas);
- Influenciadores (responsáveis pela divulgação dos produtos0;
- Nutricionistas e treinadores (que recomendavam e davam respaldo ao consumo das substâncias);
- Médicos veterinários (que emitiam receitas falsas para viabilizar a compra de medicamentos de uso controlado em estabelecimentos agropecuários.
Além disso, uma gráfica imprimia rótulos e embalagens sob encomenda e apagava os arquivos de impressão das máquinas para dificultar que a polícia identificasse a origem do material.
Os anabolizantes e as demais substâncias adulteradas pelo grupo eram divulgadas e distribuídas na internet, visando atrair o público e incentivar a compra através de perfis nas redes sociais.
Lavagem de dinheiro e fluxo de recursos
A investigação também apontou que o grupo criou um esquema de lavagem de dinheiro em diversas etapas para esconder a origem dos recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro obtido através das atividades ilegais.
Segundo a polícia, o núcleo liderado pelo principal investigado mantinha um fluxo de recursos com uma fornecedora localizada em uma região de fronteira. A movimentação contava com o apoio de doleiros, que indicavam contas de terceiros e empresas de fachada no Brasil para distribuir os depósitos e dificultar o rastreamento do dinheiro.
Outros integrantes da organização utilizavam chaves Pix e contas bancárias de parentes próximos, usados como 'laranjas" da atividade criminosa, para receber os pagamentos de clientes finais, enquanto outra ramificação do esquema utilizava uma empresa para movimentar recursos entre os estados.
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Além do uso de "laranjas" e contas de terceiros, os alvos utilizavam contas em casas de apostas e plataformas de jogos on-line para movimentar os recursos. De acordo com os investigadores, esse ambiente era usado para converter, fracionar e transferir rapidamente os valores obtidos de forma ilícita, dificultando o rastreamento das autoridades.
Esquema interestadual
A ação, conduzida pela Corf (Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes) e batizada de "Operação Narciso", cumpre mandados em diferentes estados do país, o que, segundo as autoridades, mostra o caráter interestadual e transnacional do esquema.
A polícia apontou atuação da organização criminosa nas seguintes localidades:
- Distrito Federal: onde estavam concentradas as bases de fabricação e estocagem, academias vinculadas à divulgação dos produtos e a gráfica utilizada na produção das embalagens;
- Goiás: as ações da polícia se voltaram ao recebimento de insumos em depósitos na divisa com o Distrito Federal, ao funcionamento de uma farmácia de manipulação envolvida no esquema e à movimentação financeira do grupo;
- Paraíba: em João Pessoa, os investigadores identificaram um laboratório filial operado a partir de uma mansão alugada e da residência de alto padrão à beira-mar de um dos líderes, que contava com apoio de familiares e de uma parceira local no recebimento de insumos importados por via postal;
- Paraná: as ações se concentraram em Foz do Iguaçu, de onde a fornecedora de fronteira e seu cônjuge coordenavam o fornecimento interestadual das substâncias.
O esquema se estendia ainda a cidades do Acre, como Rio Branco, e de Minas Gerais, como Uberlândia, municípios utilizados tanto para o escoamento contínuo dos produtos quanto para a localização de patrimônio dos investigados.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo


