"Assassinato foi premeditado", diz polícia sobre corretora morta em Goiás

Segundo corporação, Cléber Rosa de Oliveira, síndico de prédio onde Daiane Alves Souza foi atacada, teria desligado quadro de luz propositalmente, estaria com luvas nas mãos e capuz na cabeça

Vitor Bonets, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo
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A Polícia Civil de Goiás concluiu o caso da morte da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, que foi assassinada e ficou desaparecida por 40 dias, em Caldas Novas, em Goiás. Durante coletiva de imprensa, na manhã desta quinta-feira (19), os investigadores afirmaram que o "crime foi premeditado". 

As apurações policias reuniram provas suficientes para qualificar o crime dessa forma. Um dos pontos centrais das ações foi a análise de um vídeo em que Daiane é atacada pelo síndico Cléber Rosa de Oliveira do prédio onde ela morava.

Segundo a corporação, o homem teria desligado o quadro de luz do apartamento da corretora para que ela fosse até o subsolo do condomínio. Ele teria esperado ela ir ao andar para que eles se encontrassem.

A polícia aponta que, no momento em que Cleber ataca Daiane, ele já estava de luvas nas mãos, encapuzado e teria deixado a capota de uma caminhote aberta no local mais próximo de onde pretendia render ela.

Vídeo mostra momento em que corretora é atacada por síndico; veja registro

"Testemunha do próprio homicídio"

Os investigadores afirmaram que "Daiane foi testemunha do próprio homicídio", já que o vídeo recuperado foi um dos atos decisivos para a conclusão do caso. As investigações ainda apontaram que os tiros que mataram a mulher não foram dados dentro do prédio, e sim, provavelmente, na área de mata.

Segundo o superintendente da Polícia Científica Ricardo Matos, o armamento do crime era uma pistola .380 semiautomática. Daiane foi atingida por dois tiros. Uma bala ficou alojada na cabeça da mulher e a outra saiu pelo lado esquerdo da vítima.

Cleber e o filho dele foram presos na madrugada do dia 28 de janeiro. O síndico indicou onde o corpo estava escondido, mas não quis contar para polícia sobre a dinâmica do crime durante o interrogatório.

Em nota, a defesa do síndico, que é representada pelo escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, informou que ainda não tiveram o acesso integral dos documentos recentemente inseridos na investigação, incluindo ao Relatório Final Policial, e que só se manifestará após a "análise de todo o seu conteúdo".

Já a defesa do filho dele, representada pelos advogados Luiz Fernando Izidoro e Daniel Gonçalves Santos, afirmou que o investigado não teve qualquer participação na morte de Daiane Alves e que apresentou à polícia um conjunto de provas considerado “irrefutável”, que indicariam que ele não estava na cidade no momento do crime. Os advogados criticam a decretação da prisão temporária, afirmando que ela está baseada apenas em "suposições".

Relação entre mulher e síndico

Antes do desaparecimento, Daiane e o síndico do condomínio trocaram denúncias.

Segundo documentos obtidos pela CNN Brasil, Cléber é acusado de perseguir Daiane, entre fevereiro e outubro de 2025. As ações de perseguição começaram em novembro de 2024, após um desentendimento entre a dupla.

No documento, a promotoria alega que Daiane geria determinados imóveis dentro do condomínio onde Cleber era síndico. Em uma das locações, a mulher alugou um dos apartamentos para duas famílias, totalizando nove pessoas. No entanto, o número ultrapassou o limite máximo permitido de hóspedes por unidade no condomínio, fato que desencadeou as perseguições.

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Desaparecimento

Em 17 de dezembro, Daiane ficou incomodada com um corte de luz no apartamento onde mora e decidiu sair do local para verificar o problema. Ela desceu alguns andares de elevador e se deparou com um vizinho.

No caminho, eles conversaram e comentaram sobre o problema da falta de luz. Ao chegar no 2º andar do subsolo, eles saíram do elevador. Um vídeo mostra a interação até o momento da descida.

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O registro das imagens, no entanto, é cortado por dois minutos. Quando as filmagens aparecem novamente, Daiane volta para o elevador e já está sozinha. Ao subir, ela olha para a câmera de segurança e desce no 1º andar do subsolo.

Depois disso, ela não foi mais vista.

A Polícia Civil concluiu o caso e apresentou todos os detalhes das investigações na manhã desta quinta-feira (19).