Corretora morta em GO: Justiça começa a colher depoimentos de testemunhas

Oitivas foram iniciadas nesta quarta-feira (6) e ouviu depoimentos de familiares, testemunhas e delegado; síndico acusado pela morte segue preso

Bruna Lopes, da CNN Brasil*, em São Paulo
Compartilhar matéria

A Justiça realizou, na última quarta-feira (6), a audiência de instrução e julgamento no processo que investiga a morte da corretora de imóveis Daiane Alves Sousa, de 43 anos, morta pelo síndico do prédio em que morava em Caldas Novas (GO). Foram colhidos depoimentos de familiares, testemunhas e delegado.

A sessão foi ministrada pela 1ª Vara Criminal da comarca de Caldas Novas, sob responsabilidade da juíza Vaneska da Silva Baruki. Pela complexidade do caso e quantidade de testemunhas a serem ouvidas, a continuação das oitivas será no dia 9 de julho de 2026, às 13h30, por videoconferência.

Na próxima sessão, deverão ser ouvidas testemunhas arroladas pela defesa e realizado o interrogatório do acusado.

De acordo com o TJGO (Tribunal de Justiça de Goiás), as testemunhas elencadas pela acusação, entre elas a mãe, uma amiga íntima — que foram ouvidas sem a presença do síndico — e a irmã de Daiane tiveram os depoimentos colhidos durante a sessão.

Conforme divulgado pela justiça, a magistrada pediu para que o investigado se retirasse com base no artigo 217 do Código de Processo Penal, por entender que a presença dele poderia causar humilhação ou grave constrangimento às declarantes e comprometer a veracidade dos depoimentos.

Após essa etapa, Cléber Rosa de Oliveira, síndico acusado pela morte, retornou à audiência, e o ato prosseguiu com os demais depoimentos.

Além das mulheres arroladas pela acusação, também foram ouvidos a esposa e o filho do síndico listados pela defesa. O delegado André Luiz Barbosa Santos também esteve entre os depoentes.

Veja também: "Assassinato foi premeditado", diz polícia sobre corretora morta em Goiás

Ainda segundo o TJGO, foi fixado um prazo de cinco dias para que a defesa informe o paradeiro atualizado de uma das testemunhas não localizada.

Além disso, determinou o envio de ofício à Superintendência de Polícia Técnico-Científica, Instituto Médico Legal Aristoclides Teixeira, com prazo de resposta de 30 dias, para a complementação do exame cadavérico, a fim de esclarecer se os disparos de arma de fogo ocorreram antes ou depois da morte da Daiane.

À CNN Brasil, a defesa de Cléber afirmou que apenas se manifestará sobre o caso no próprio processo.

A defesa da família da vítima ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.

Prisão do síndico mantida

A prisão de Cléber foi reavalida pela magistrada em decisão proferida no dia 11 de março, que decidiu pela manuntenção da custódia cautelar. Conforme previsto na legislação processual penal, a manutenção da prisão deve ser reavaliada a cada 90 dias, mediante decisão fundamentada.

No caso, o novo prazo se encerra em 9 de junho de 2026, um mês antes da nova audiência de instrução.

Na madrugada do dia 28 de janeiro, o síndico Cléber Rosa de Oliveira e seu filho, Maicon Doulgas de Oliveira, foram presos por suspeita deautoria do homicídio da corretora Daiane Alves Souza, que desapareceu em dezembro do ano passado, em um prédio de Caldas Novas, no sul do estado.

Maicon foi preso suspeito de auxiliar na obstrução de provas, como a substituição dos celulares e outras ações para atrapalhar as investigações. Caso se confirmasse a participação dele no crime, ele poderia responder por obstrução e pelos mesmos crimes que o pai.

Cléber chegou a afirmar que seu filho não possui participação no crime.

Conforme a polícia, o síndico chegou a colaborar com as investigações e indicou aos agentes o local onde o corpo da vítima foi abandonado.

Dinâmica do crime

Segundo a Polícia Civil, Cléber teria desligado propositalmente o fornecimento de energia do apartamento de Daiane, forçando-a a descer até o subsolo do prédio. No local, ele a teria abordado enquanto a vítima filmava os relógios de energia.

A investigação aponta que o crime pode ter ocorrido em um intervalo de aproximadamente oito minutos: Daiane desaparece das imagens às 19h, e às 19h08 as câmeras registram apenas a passagem de outra moradora pelo prédio.

Leia também: Desaparecimento, prisão e morte: veja cronologia do caso de corretora em GO

A análise da polícia indica que Daiane foi morta dentro do condomínio e retirada já sem vida. A única imagem do suspeito registrada naquele dia é das 12h27. Ele não utilizou os elevadores, e os acessos às escadas não eram cobertos por câmeras de monitoramento.

O condomínio possuía apenas dez câmeras de segurança, e, segundo a investigação, o síndico teria utilizado as escadas para sair com o corpo dela para evitar ser filmado.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo