Classificação de PCC e CV como organizações terroristas divide polícias

Ao CNN 360º, Elijonas Maia detalha a posição de agentes de segurança pública sobre o impacto da decisão dos EUA

Da CNN Brasil
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A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas gerou uma divisão significativa entre representantes das forças de segurança do Brasil.

Segundo apuração do analista de Segurança Pública Elijonas Maia, integrantes da Polícia Federal, ex-diretores da corporação, brasileiros que atuaram no FBI, além de desembargadores e promotores, apresentaram avaliações distintas sobre os possíveis impactos da medida.

"A avaliação de todo mundo é que há pontos positivos, negativos e há quem fique no meio também, como pode ser bom, mas pode ser ruim. Uso a palavra 'pode' porque tudo ainda está no campo da suposição", afirmou o analista no CNN 360º desta quinta-feira (29).

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou uma nota lamentando a decisão. A nota alerta para possíveis impactos na economia brasileira, no sistema financeiro e nos mecanismos de cooperação regional e internacional.

Um dos pontos levantados diz respeito à troca de informações entre a Polícia Federal brasileira e o FBI. Com a nova classificação, a interlocução passaria a ser feita com a CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos.

"Na avaliação de integrantes da inteligência da Polícia Federal do Brasil, não existe conversa [com a CIA]. Em se tratando da segurança nacional dos Estados Unidos, a CIA não repassa informação", afirmou o analista.

"Banalização" do conceito de terrorismo

Elijonas conversou também com o ex-delegado da Polícia Federal Luciano Leiro. Ele manifestou preocupação com a "banalização do conceito de terrorismo".

Segundo Leiro, é fundamental reconhecer a gravidade das facções brasileiras, mas ampliar esse conceito de forma indiscriminada, especialmente incorporando-o à legislação brasileira, seria um risco.

A posição reflete uma distinção técnica relevante: a lei antiterrorismo vigente no Brasil, que completou dez anos em 2025, exige a presença de motivação ideológica, seja política ou religiosa, para que uma organização seja enquadrada como terrorista.

As facções, por sua vez, são caracterizadas pelo foco financeiro, sem imposição de ideologia, sendo classificadas como Organizações Criminosas (ORCRIM).

"Uma [organização criminosa] visa o lucro, a outra [grupo terrorista, segundo a lei antiterrorismo brasileira] usa o lucro para ataques com cunho religioso, social ou político", detalhou Elijonas.

Elijonas Maia também recordou que, no início de 2025, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, já havia se posicionado publicamente contra a equiparação de facções criminosas brasileiras a grupos terroristas, argumentando que a legislação e os focos de atuação de cada tipo de organização são distintos.

Impacto financeiro sobre as facções

Por outro lado, outros delegados da Polícia Federal se mostraram favoráveis à classificação. Um deles, que pediu anonimato por razões de segurança, afirmou que "agora as facções serão destruídas financeiramente".

"A partir dessa designação, tudo que toca o PCC e o Comando Vermelho, como pessoas, empresas, contas, transações, parceiros, fornecedores, laranjas, doleiros e operadores financeiros, passa a ser automaticamente enquadrado no aparato antiterrorismo dos Estados Unidos", disse o delegado ao analista da CNN.

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