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    Cotista não deve se justificar; cota é direito na lei, diz reitor de universidade

    José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, acrescenta que cotas são "a mais importante e potente política pública para combater o racismo e a desigualdade racial"

    Produzido por Talita Amaralda CNN

    Em São Paulo

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    Quem acessa as universidades por meio de cotas não precisa explicar como conquistou a vaga, quando questionado por quem duvida de sua capacidade ou tenta ser racista, afirma o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, em entrevista à CNN neste sábado (20), dia da Consciência Negra.

    “O aluno negro não precisa ter que justificar por que está acessando e usufruindo de uma política pública que paga através de seu salário e impostos. Não é obrigação do negro brasileiro ter que dar justificativa para estar usufruindo de um benefício público. Se a lei diz que é direito, devido, justo, o aluno negro não tem que discutir com ninguém. Essa preocupação não deve ser colocada sobre os ombros dos alunos cotistas, não têm obrigação moral nem legal de apresentar justificativa ou defendê-la”, afirma.

    Ele fala sobre a importância das cotas, e como elas aumentaram a presença de negros, pardos e indígenas no ensino superior. “Os negros eram 1,8% nas universidades públicas, hoje são quase 30%. Sem essa lei, nada teria acontecido. E se os índices de hoje apontam uma iniquidade racial extrema, imagine sem as cotas no início do terceiro milênio. Ela é necessária, indispensável, inexorável e não pode, sob qualquer aspecto, ser desconsiderada. Todos devem ter direito a oportunidades iguais”.

    Por isso, Vicente defende que a lei seja prorrogada. “Existe um consenso entre negros e brancos dos grandes formadores de opinião de que é a mais importante e potente política pública para combater o racismo e a desigualdade racial. A mais importante e a única. A sociedade já debruçou sobre isso 10 anos atrás. Não tem o que se discutir a legitimidade, a necessidade e indispensabilidade de uma ação dessa natureza. Hoje há um consenso que a medida é acertada e continua se fazendo necessária, sobretudo depois da pandemia.”

    Ações são articuladas para evitar retrocessos, diz o reitor. “O momento político em que vai ser debatida, no curso das eleições, pode trazer um risco, por isso estamos com essa atenção de pôr um movimento popular na rua para garantir a prorrogação da lei. Estamos fazendo o movimento de fazer o pressionamento no parlamentar e recolher numa petição eletrônica até 1 milhão de assinaturas, para que o parlamento tenha clarividência de que a reivindicação, além de justa, é um desejo da maioria dos brasileiros. É uma luta nossa, de negros e brancos”.

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