"Crime afeta exposições", diz curador-chefe sobre roubo de obras em SP
Em entrevista ao Live CNN, Curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo alerta para possíveis consequências do assalto à mão armada na Biblioteca Mário de Andrade, que pode afetar todo o setor
O roubo de treze obras de arte e documentos históricos da Biblioteca Mário de Andrade, no Centro de São Paulo, ocorrido na manhã do último domingo (7), representa um fato sem precedentes no cenário cultural brasileiro e pode trazer consequências negativas para o acesso do público a exposições artísticas no país, afirma Cauê Alves, curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) em entrevista ao Live CNN.
De acordo com Alves, o crime representa uma situação incomum no Brasil. "Não me recordo de nenhum roubo à mão armada de obras de arte no Brasil. Já tiveram alguns furtos, mas assaltos com rendição de segurança é algo inédito", afirmou em entrevista.
Impactos no acesso às exposições
O especialista demonstrou preocupação com os possíveis desdobramentos que esse tipo de crime pode gerar para o setor cultural. "Eu temo por um fechamento dessas exposições, vai ser mais difícil acessar", alertou Alves. Entre as possíveis medidas de segurança que podem ser implementadas, o curador menciona a presença de seguranças armados e instalação de portas rotatórias semelhantes às utilizadas em bancos.
Essas mudanças, segundo Alves, podem criar dificuldades de acesso para o público em geral e, especialmente, para pessoas com mobilidade reduzida. "Imagina um cadeirante entrar, como já é difícil ele entrar num banco, ele entrar numa exposição", exemplificou o curador, evidenciando como as novas medidas de segurança podem representar barreiras adicionais.
Consequências econômicas para o setor cultural
Além das questões de acessibilidade, o crime também deve impactar economicamente o setor. "Os seguros devem subir, os valores dos seguros devem subir, porque isso não era tão comum", explicou Alves. O aumento nos custos de segurança e seguros pode comprometer a realização de exposições e o funcionamento de instituições culturais.
O curador concluiu sua análise ressaltando que o crime "prejudica todo um ecossistema de exposições, de valores e de acesso a elas". A expectativa agora é que as autoridades policiais consigam recuperar as obras roubadas, minimizando os danos ao patrimônio cultural brasileiro.


