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    Curso on-line de ‘peeling de fenol’ custou R$ 300; alunos relatam insatisfação

    Polícia investiga a farmacêutica que deu curso à Natália Becker por exercício ilegal da medicina e falsificação de documentos

    Guilherme GamaBeatriz Alvesda CNN São Paulo

    A Polícia Civil do Paraná investiga a farmacêutica Daniele Stuart, de 40 anos, por oferecer um curso on-line de aplicação de ‘peeling de fenol’. As aulas teóricas eram vendidas por cerca de R$ 300,00 e careciam de suporte, de acordo com alunos ouvidos pela CNN.

    As aulas foram assistidas por Natalia Fabiana de Freitas Antonio, indiciada por homicídio com dolo eventual pela Polícia Civil de São Paulo pela morte de Henrique Chagas após procedimento estético.

    O curso chamado de ‘Aula de Peeling de Fenol Atenuado’ tinha carga horária de 6 horas e disponibilizava aulas remotas sobre os protocolos de aplicação do ácido, acompanhadas por slides com imagens e vídeos do procedimento. Ele está indisponível da plataforma e deixou de ser vendido por Daniele, após a repercussão da morte em São Paulo.

    A emissão de certificados pela realização das aulas ministradas por ela é entendida como falsificação de documentos pela polícia.

    A descrição do conteúdo do curso diz: “Nessa aula exclusiva de peeling de fenol você irá entender como ele funciona, como fazer a aplicação correta e também as fórmulas de preparação de pele, do peeling, fórmula selante e pomada pós peeling”.

    “Uma solução completa para quem deseja realizar o tratamento com segurança e eficácia”, completa.

    O curso fornece aos estudantes um certificado digital de conclusão fornecido pela própria bioquímica. “Esses certificados podem ser compartilhados em redes sociais como o LinkedIn e inseridos em informações curriculares”, diz a descrição da página.

    Alunos reclamam das aulas

    No site, Hotmart, a curso tem 22 avaliações, e média de 3.7 estrelas. Entre os comentários, estão clientes que demonstram insatisfação com o material.

    • “Ela não discorre nada teórico sobre o assunto, claramente esta lendo somente o que vem nas orientações do próprio autor do produto. Sem cabimento uma pessoa cobrar para isso. Claramente ela não tem conhecimento sobre o assunto”, diz Roberta.
    • “Achei que para um curso sobre um peeling extremamente complicado as explicações foram muito rasas. Entendo que a execução pode ser até simples, mas falta muito conteúdo nesse curso”, diz Carina
    • “Poderia ter tido mais casos clínicos, mais regiões de aplicações como por exemplo rugas Periorais, pescoço e colo, pois o curso não especifica uma área específica então poderia ter mais casos clínicos”, diz Danilo

    Clientes ouvidos pela CNN informaram que a inscrição não solicita nenhuma informação sobre a grau de especialização na área — qualquer pessoa poderia se matricular.

    Outros alunos relataram que as aulas foram boas e produtivas, porém não se sentiam capacitados para fazer o procedimento em suas clínicas.

    A defesa de Daniele, Jeffrey Chiquini, afirma que o curso online oferecido por ela é exclusivamente conceitual e não é profissionalizante, e cita a legislação das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

    O artigo 42 afirma que “a formação inicial e continuada ou qualificação profissional podem ser ofertados como cursos de livre oferta, abertos à comunidade, com suas matrículas condicionadas à capacidade de aproveitamento da formação, e não necessariamente ao nível de escolaridade”.

    *Com informações de Bruno Laforé