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    De boneca a vaso de cristal: veja doações inusitadas a desabrigados no RS

    Itens incluem vasos de decoração, capa para tablete, disquetes e carrinho quebrado

    Beto Souzada CNN São Paulo

    A solidariedade às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul impressiona com ajuda de todo o Brasil. De acordo com dados do governo do Rio Grande do Sul, mais de duas mil toneladas de doações chegaram ao estado.

    A logística para distribuir os itens doados apresenta desafios significativos. A CNN entrevistou Maura Nicola, voluntária que participa da triagem de doações.

    Itens incomuns

    Alguns voluntários têm se surpreendido com o que tem chegado no Rio Grande do Sul. O motivo é a peculiaridade de alguns itens doados. “Um exemplo foi uma capa de um tablete. As pessoas não têm casa, como vão comprar um tablet?”, questiona Maura. Outros itens mencionados incluem pelúcias de Dia dos Namorados, presentes ainda embalados, colecionáveis antigos e objetos de decoração.

    Desafios e controvérsias

    Além da falta de utilidade prática de certos itens, alguns são controversos. “Recebemos roupas de natação para pessoas que perderam tudo na enchente”, disse Nicola. Ela observou haver quem descarte itens desnecessários, o que não atende às necessidades das pessoas afetadas.

    Para justificar o volume de itens peculiares, ela acredita que essas atitudes refletem uma “falta de noção” e, às vezes, a falta de “empatia” de quem utiliza as doações para se livrar de coisas que não gostaria mais de possuir.

    Prioridades na triagem

    Roupas e brinquedos em condições ruins estão entre as doações mais comuns. Maura revela que estava na distribuição de alimentos, prioridade no início da campanha de arrecadação. Mas atualmente é responsável na seleção dos brinquedos.

    Ela alerta para a quantidade de brinquedos que chegam quebrados, mas ressalva que “na parte das roupas, as coisas estão muito piores, com muita coisa destruída”.

    Processo de escolha

    O momento é tão delicado que alguns itens “dividem” opiniões entre aqueles que separam o que será doado. “Ficamos entre ‘eles não tem nada’ e ‘eles merecem receber coisas em perfeito estado’. Costumo descartar tudo que não acho justo alguém receber, mas tem alguns voluntários que estão levando para desabrigados”, reflete Maura.

    A seleção das doações, entretanto, é impactada negativamente quando o volume de itens aleatórios é grande. “Tem um impacto negativo porque acabam atrapalhando e atrasando a triagem”, acrescenta Maura.

    Alguns brinquedos estão sendo separados e mantidos guardados para serem doados após o fim da tragédia no estado. “Nos abrigos há muita perda de brinquedos. Estão esperando o momento de retorno para entregar os presentes nas novas casas, para que eles consigam manter”, informa a voluntária.

    Uma doação inusitada será devolvida

    Uma mochila com US$ 10 mil (cerca de R$ 53 mil) foi encontrada na última terça-feira entre as doações recebidas pela equipe do deputado federal Daniel Trzeciak (PSDB-RS). Ela estava em um caminhão que levou doações de Santos, no litoral de São Paulo, até Pelotas.

    Dentro da mala continha documentos de seu dono, um delegado aposentado da Polícia Federal. Ele foi localizado pela equipe do parlamentar. O dinheiro foi enviado por engano e será devolvido, segundo Trzeciak.

    Veja doações inusitadas a desabrigados no RS