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    Denúncias de antissemitismo no Brasil crescem 1.000% após guerra em Israel, indica Conib

    No mês passado, a organização detectou 467 casos de mensagens em redes sociais ou eventos públicos ofensivos ao povo judeu, ante 44 ocorridos no mesmo período de 2022

    Iuri Pittada CNN

    São Paulo

    Casos de antissemitismo no Brasil cresceram mais de dez vezes desde o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro, e o início da guerra na Faixa de Gaza, conforme relatório da Confederação Israelita do Brasil (Conib) obtido pela CNN.

    No mês passado, a organização detectou 467 casos de mensagens em redes sociais ou eventos públicos ofensivos ao povo judeu, ante 44 ocorridos no mesmo período de 2022, um aumento de 961%.

    Todas essas postagens ou declarações, na avaliação de advogados ligados à Conib, caracterizam crime de preconceito, um delito inafiançável e imprescritível (não há prazo legal para que os autores sejam punidos pela Justiça).

    Em outubro, foram recebidas 15 denúncias por dia, uma média muito superior à registrada um ano atrás, quando não se chegava a dois casos diários.

    Por isso, uma série de notícias-crime têm sido apresentadas aos Ministérios Públicos Federal e Estaduais e delegacias especializadas em crimes raciais e de intolerância em todo o Brasil.

    Desde figuras públicas até usuários de redes sociais que fazem comentários em postagens têm sido alvo das peças jurídicas.

    A advogada Andrea Vainer, diretora da Conib, explica que sempre houve atuação voluntária de profissionais do Direito na detecção de manifestações preconceituosas contra a comunidade judaica e que esses conteúdos não se enquadram em críticas legítimas, por exemplo, a um governo ou à forma como são conduzidas campanhas militares.

    São mais de 40 advogados atuando no trabalho de redigir e apresentar as notícias-crime a partir da identificação do que pode ser caracterizado como crime de preconceito.

    “Estamos tratando aqui de pessoas que fazem analogia ao nazismo e a Adolf Hitler, ou que atacam de forma preconceituosa e generalizada o povo judeu”, diz a advogada, que aponta um aumento “assustador” desse tipo de manifestação desde o ataque terrorista ocorrido em 7 de outubro e a reação de Israel contra o Hamas.

    “Na semana antes do conflito, não registramos nenhuma denúncia, mas logo na primeira semana já houve mais do que o dobro de comentários nas redes e mensagens antissemitas que chegaram ao nosso conhecimento, seja por canais oficiais, seja por meios informais”, diz Andrea.

    Mobilização

    Além da atuação dos advogados, integrantes da comunidade judaica têm compilado casos de discursos de ódio e intolerância contra judeus para embasar as denúncias jurídicas.

    Virna Wulkan é uma das voluntárias que atua no monitoramento de redes sociais e outros conteúdos públicos nesse sentido, inclusive pichações e vandalismo. Como ela, são quase 750 pessoas em todo o país.

    “A base legal para as ações é a mesma legislação que pune crimes de racismo e foi endurecida em janeiro deste ano”, explica Virna, em referência ao texto sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    “É importante que as pessoas saibam diferenciar políticas de um Estado ou de um governo de um povo. Há judeus que são críticos às políticas do Estado de Israel, não só não é justo como é criminoso fazer comentários e ataques à comunidade como um todo.”

    O crescimento do antissemitismo e de conteúdos ofensivos foi registrado em diversos países do mundo, a exemplo dos casos documentados pela Conib e que podem se tornar ações criminais no Brasil.

    Em Nova York, o Antisemitism Cyber Security Monitoring System havia detectado um aumento de 1200% das postagens preconceituosas contra judeus na primeira semana após o início dos conflitos, percentual próximo do percebido no Brasil.

    Veja também: Crianças sabem que há guerra, diz brasileira que trabalha em jardim de infância em Israel