Deputadas cobram rigor na investigação contra ex-diretor-geral da Polícia Civil do DF
Parlamentares se manifestaram após CNN revelar casos de ameaças pelos quais o delegado Robson Cândido é investigado

Duas deputadas do Distrito Federal, sendo uma delas a procuradora Especial da Mulher da Câmara Legislativa (CLDF), se manifestaram em relação às investigações da Corregedoria da Polícia Civil do DF contra o ex-diretor-geral Robson Cândido. A CLDF tem apenas três deputadas mulheres.
Na quarta-feira (4), a CNN revelou que o delegado virou alvo de investigação da Delegacia da Mulher e da Corregedoria-Geral após duas mulheres registrarem ocorrência contra ele por ameaças e perseguição. Os casos são no âmbito da Lei Maria da Penha.
“A Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Legislativa do Distrito Federal se posiciona, e se posicionará sempre, de maneira firme em defesa das mulheres, contra as violências em todas as suas formas", diz a nota assinada pela procuradora da Mulher e deputada Doutora Jane (MDB), que também é delegada.
"Quanto ao caso envolvendo o ex-diretor da Polícia Civil do DF, é sabido que a DEAM (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher) e a Corregedoria da Polícia Civil foram provocadas e já iniciaram as apurações, as quais aguardaremos. Acreditamos na atuação sempre firme e correta das instituições policiais”.
Outra deputada distrital que comentou o caso foi Paula Belmonte (Cidadania). “É preciso que o caso seja rigorosamente apurado, afinal a suspeita de abuso e violência recai sobre quem deveria zelar pela segurança do cidadão", disse à CNN.
Além de manifestações das deputadas, o deputado distrital Fábio Felix (Psol), que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa, também informou que acompanhará o caso. “É importante que haja apuração das denúncias de violência contra a mulher. Acompanharemos este caso junto à Procuradoria da Mulher da Câmara Legislativa e de outros órgãos”.
Apurações
Depois de uma semana que o caso foi revelado, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) se posicionou oficialmente e disse, em nota, que “o referido caso está sendo devidamente apurado pela Corregedoria do órgão, conforme prevê a legislação em vigor”.
O Ministério Público do Distrito Federal também abriu uma investigação contra Cândido. O procedimento está a cargo do Núcleo de Investigação e Controle Externo da Atividade Policial (NCAP).
Relembre o caso
O então diretor-geral da Polícia Civil foi exonerado do mais alto posto da instituição na segunda-feira (2) após ser alvo da Corregedoria e da Delegacia da Mulher (Deam).
O delegado foi denunciado por duas mulheres, que registraram boletim de ocorrência por ameaças, conforme revelou a CNN.
No depoimento, a primeira mulher teria dito que foi ameaçada por Cândido e uma amiga dela pediu ajuda a um policial e a outra amiga para que fosse socorrida à uma Deam.
A outra mulher envolvida no caso, que também denunciou as ameaças, disse que também foi perseguida pelo delegado. Ela entregou vídeos e mensagens à polícia.
As ocorrências foram registradas no domingo (1º) de noite, um dia antes de o diretor-geral pedir exoneração ao governador Ibaneis Rocha (MDB). Cândido justificou que precisava “cuidar de problemas pessoais”.
A CNN confirmou que a Corregedoria da Polícia Civil foi acionada e recolheu as quatro armas do então diretor-geral. O caso, como é protocolo por se tratar de mulheres vítimas de violência, está sob sigilo absoluto.
“Ao tomar conhecimento, a Corregedoria avocou as ocorrências e instaurou os procedimentos necessários”, informou a PCDF.
A CNN procurou o delegado Robson Cândido e não obteve retorno. A comunicação da Polícia Civil, chefiada pelo delegado Darbas Coutinho, também não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem desde segunda-feira (2).


