Dois anos após mortes por intoxicação, Backer retoma fabricação de cervejas

Bebida contaminada deixou 29 pessoas intoxicadas e outras 10 mortas; liberação foi feita pelo Ministério da Agricultura

Emylly Alvesda CNN*

em São Paulo

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A cervejaria Backer, em Minas Gerais, divulgou nesta sexta-feira (8) que recebeu autorização para voltar a fabricar bebidas. A produção de cerveja na fábrica estava proibida há mais de dois anos, quando veio à tona o caso de contaminação por dietilenoglicol. Ao todo, 29 pessoas foram intoxicadas e outras 10 morreram.

Em comunicado, a cervejaria Três Lobos, responsável pela marca Backer, afirma que a reabertura “contou com o acompanhamento das autoridades e órgãos competentes e observou todos os critérios legais e técnicos”. E que “não mede esforços para oferecer apoio às vítimas e suas famílias”.

O Ministério da Agricultura confirmou a autorização e informou que a liberação foi concedida de forma parcial para duas adegas no parque industrial da empresa. De acordo com a pasta, “a empresa atendeu às exigências feitas para garantir a segurança dos produtos, referentes às condições dos tanques de fermentação e equipamentos que serão utilizados neste retorno”.

As audiências de instrução e o julgamento do caso estão marcadas para maio deste ano, quando testemunhas, vítimas, peritos e acusados devem ser ouvidos para colher provas por meio de depoimentos. São 11 réus, sendo que um deles faleceu.

A empresa não especificou quando retornará às atividades e qual bebida irá comercializar, mas que “a retomada da produção cervejeira será um fator decisivo para ampliar a assistência médica e financeira”.

Confira na íntegra a nota do Ministério da Agricultura

“O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirma que a Cervejaria Backer foi autorizada, na manhã desta sexta-feira (08), a retomar a produção e comercialização de cerveja na fábrica. Essa liberação foi concedida de forma parcial para duas adegas no parque industrial da empresa.

O Mapa esclarece que a empresa atendeu às exigências feitas para garantir a segurança dos produtos, referentes às condições dos tanques de fermentação e equipamentos que serão utilizados neste retorno. A cervejaria ainda substituiu em seu processo o fluido refrigerante por solução hidroalcoólica – solução que contém água e álcool.

O processo de produção de cerveja no parque fabril vem ocorrendo desde novembro de 2021, após vistoria executada por auditores fiscais federais agropecuários do Mapa. Os produtos produzidos foram informados semanalmente ao Ministério que realizou a coleta de cada lote e dos fluidos refrigerantes. Com a aprovação das análises, fica a Cervejaria Backer autorizada a comercializar seus produtos.

Já em relação ao funcionamento do restaurante, anexo à planta fabril, informamos que este é de competência dos órgãos de vigilância sanitária. A comercialização de bebidas no estabelecimento pode ocorrer se os produtos estiverem devidamente registrados no Mapa, como é o caso da cervejaria Backer.

Em janeiro de 2020, o Mapa interditou a cervejaria e determinou o recolhimento de todos os produtos, após a ocorrência de casos de contaminação. Análises identificaram a presença de contaminante dietilenoglicol em diversos lotes de cervejas da Backer.”

*Sob supervisão de Elizabeth Matravolgyi

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