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    Educação antirracista é importante para crianças se aceitarem como elas são, diz psicóloga

    À CNN Rádio, Cida Bento explicou que atitudes como a de Giovanna Ewbank, que defendeu os filhos contra ofensas racistas, são importantes

    Amanda Garciada CNNLetícia VidicaTalita Amaral

    A reação vigorosa de Giovanna Ewbank contra uma mulher que dirigiu ofensas racistas ao seus filhos Titi e Bless é importante, na avaliação da psicóloga e conselheira do CEERT (centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades), Cida Bento.

    “É importante que a voz anti-racista venha de pessoas brancas que tenham notoriedade como a atriz”, afirmou, à CNN Rádio, no quadro CNN no Plural.

    Ao mesmo tempo, ela ressaltou que isso se dá porque a mulher negra, quando passa por uma situação similar, fica numa posição solitária, pelo espaço que ocupa em uma sociedade estruturalmente racista.

    “As crianças pequenas não entendem quando isso acontece, acham que há um problema com elas para os outros as tratarem dessa forma”, completou.

    Essa discussão sobre como seria a reação se uma mulher negra defendesse seus filhos da discriminação “para criarmos condição de dar lugar de fala a essa mulher.”

    A especialista conta que há estudos que apontam que crianças pequenas aprendem práticas racistas no cotidiano, sob a influência dos pais e adultos com os quais elas têm contato.

    Isso se reflete dentro da escola, por exemplo, quando uma criança branca não quer dar a mão para uma negra, ou não queria que a colega negra exercesse o papel de dona da casa em brincadeira.

    “São os adultos que influenciam posicionamento de crianças brancas e negras, a educação antirracista é importante para crianças brancas, indígenas, negras, de maneira que elas possam se colocar numa posição de gostar do seu próprio corpo, professores e gestores públicos são fundamentais para isso.”

    Para Cida, “cada vez mais tem que se haver debater para ampliar a consciência das pessoas.”

    Essa educação antirracista, segundo ela, precisa “atravessar toda a educação básica, desde a educação infantil.”

    A especialista lembra que, quando ela era criança, ficava incomodada com as referências de beleza – que não eram semelhantes a ela.

    “A beleza cultuada nos livros, como por exemplo a Branca de Neve, que era tratada como heroína, isso me fazia sentir feia”, relatou.

    Hoje, “na relação professor-aluno, livros didáticos, formação de professores, compra de brinquedos, quanto mais pluralidade, trouxer conceito e valorização de perfis, vamos ampliar esse debate e diminuir situações como essa”.