Em maio, indigenista Bruno Pereira relatou perseguição da Funai; ouça

CNN teve acesso a uma mensagem enviada por Pereira no dia 12 de maio, na qual relatou os problemas enfrentados

Caio Junqueira

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A CNN teve acesso a uma mensagem de áudio do dia 12 de maio deste ano no qual o indigenista Bruno Araújo Pereira, assassinado na Amazônia, faz um desabafo a pessoas próximas no qual relata a perseguição que vinha sofrendo da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Ele relata, por exemplo, que o órgão abriu um processo administrativo disciplinar (PAD) no qual se sentiu um “chefe de milícia”.

“Aí, você vê, né, como a presidência usa atividade essencial para o cara ir lá pintar os ‘korubos’, sabe? E aí, os servidores que me denunciaram para, né, para a corregedoria, para PAD, que eu estou respondendo, quase como um chefe de milícia, sabe? Ninguém abre um ‘ai'”, disse.

Ele afirmou também que sabia, quando pediu afastamento, que seria perseguido internamente. Cita os filhos e critica quem dentro do órgão finge que a Funai não virou um órgão contra os índios.

“É isso, é isso que a gente passa, mas eu já senti. Eu, de boa, quando eu pedi meu afastamento, eu sabia que ia ser dessa forma, sabe? Sabia que ia ser uma luta ferrenha e estava preparado para isso, tenho meus filhos pequenos para dar de comer também, tenho toda uma história, tenho minha imagem, eu tenho também minha reputação que eu, pelo que eu já lutei, já vivi, mas eu não conseguiria ficar ali, caladinho, o fulaninho do DAS 1 (nível de servidor público) para se garantir, ficar fingindo que esse governo, não é anti-indígena, mas nós que estamos aqui. Quem é tu cara pálida? Foi totalmente abduzido, tomada, se apropriaram da Funai, todos nós sabemos disso”, afirma.

Pereira diz ainda que para a direção atual da entidade havia virado “tóxico”. “Mas isso aí só gera raiva e mais luta, né? Não vamos baixar a cabeça, não. Força aí, não desanime. […] Estar perto de mim é criptonita, é tóxico para essa direção. Eu me sinto bem por isso. Triste pelo todo, né? Bem no sentido de que bom que eles sabem muito bem o terreno marcado pelo que eu luto, né? […] Eu sei de que lado e quais as lutas que eu estou combatendo, né? Onde a gente está ganhando e onde a gente está perdendo.”

A CNN relatou a Funai todas as acusações feitas por Pereira, mas a fundação não se manifestou. Questionada se de fato foi aberto um procedimento interno contra Pereira, a Funai disse que todos os procedimentos são sigilosos e por isso não poderia dar informações.

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