Em SP, ato pró-Bolsonaro teve 4 vezes mais público que protestos da oposição

Estimativas da SSP e da Polícia Militar apontam que protestos contra o governo Bolsonaro reuniram 29 mil pessoas na cidade, enquanto o ato a favor, 125 mil

Manifestantes ocupam a avenida Paulista, em São Paulo, em ato contra o governo Bolsonaro (2.out.2021)
Manifestantes ocupam a avenida Paulista, em São Paulo, em ato contra o governo Bolsonaro (2.out.2021) Isabella Faria/CNN

Da CNN Brasil

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O número de pessoas no único ato a favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na cidade de São Paulo foi pouco mais de quatro vezes maior do que o total de manifestantes nos três protestos contra o governo realizados na capital paulista nas últimas semanas.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), a manifestação contra Bolsonaro neste sábado (2) reuniu 8 mil pessoas em São Paulo. Se somada aos protestos contra o presidente dos dias 7 e 12 de setembro, a oposição mobilizou cerca de 29 mil pessoas na mais populosa cidade do país.

No único ato pró-Bolsonaro, realizado também em 7 de setembro, dia da Independência do Brasil e que contou com engajamento do próprio presidente, a avenida Paulista recebeu cerca de 125 mil pessoas, segundo o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) do Estado de São Paulo. Ou seja, um público 4,3 vezes maior do que a soma das manifestações de oposição.

Na ocasião, Bolsonaro esteve presente na Paulista e discursou para os seus apoiadores, atacando principalmente o STF (Supremo Tribunal Federal) e defendendo o voto impresso nas eleições de 2022.

Exceção ao ato contra Bolsonaro em SP no dia 7, todos os outros tiveram dimensão nacional e mobilizaram simpatizantes às respectivas causas em todos os estados e no Distrito Federal — em todas as ocasiões, São Paulo reuniu o maior número de manifestantes.

A estimativa da SSP-SP é baseada em imagens aéreas, análise de mapas e georreferenciamento, determinando a extensão do movimento no local, bem como nas áreas adjacentes. Ainda de acordo com o órgão, todas as manifestações foram pacíficas, sem ocorrências graves.

Em 7 de setembro, opositores ligados à esquerda organizaram uma manifestação contra o presidente no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, que reuniu 15 mil pessoas, segundo a SSP. O grupo pedia pelo impeachment do presidente, destacando, principalmente, a gestão da pandemia feita por Bolsonaro.

Já em 12 de setembro a manifestação foi organizada pelo Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e Livres, e contou com 6 mil pessoas na Avenida Paulista, segundo a SSP. A pauta também foi o impeachment de Bolsonaro e mais vacinas contra a Covid-19.

Reprovação ao governo

Apesar da baixa adesão aos atos contra o presidente, a maioria absoluta dos eleitores considera o governo Jair Bolsonaro ruim ou péssimo, segundo pesquisa Ipec divulgada no último dia 22. É a primeira vez que isso acontece na sequência de três levantamentos que o instituto fez desde o início do ano.

Além da avaliação negativa, a pesquisa apontou que se Bolsonaro disputasse o Palácio do Planalto hoje, teria menos da metade dos votos de seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva, que venceria no primeiro turno.

Ao todo, 42% dos brasileiros em idade de votar consideram que o governo é péssimo. Para outros 11%, é ruim. A soma das avaliações negativas chega a 53%, quatro pontos percentuais acima do registrado em junho, quando foi feita a pesquisa anterior do Ipec. Desde fevereiro, esse aumento foi de 14 pontos.

Os eleitores que consideram a gestão federal boa ou ótima são apenas 22% – menor patamar registrado no ano. Em sete meses, a soma das avaliações positivas caiu seis pontos porcentuais. O contingente que considera a gestão regular é de 23%.

Além de avaliar o governo como um todo, o Ipec também perguntou aos entrevistados como veem o desempenho pessoal do presidente no comando do país. Nesse caso, as opiniões negativas são ainda mais dominantes: 68% afirmaram que desaprovam Bolsonaro, e 28%, que aprovam.

O presidente também é visto com desconfiança por sete em cada dez brasileiros. Nada menos que 69% disseram não confiar no presidente. Outros 28% afirmaram confiar nele.

*Com Estadão Conteúdo

 

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