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    Embaixada de Israel pede que Holocausto não seja usado em disputa política

    O ministro Abraham Weintraub comparou o inquérito sobre as chamadas fake news no STF à perseguição dos judeus pelo regime nazista da Alemanha

    Bandeira de Israel levada por apoiador do presidente Jair Bolsonaro durante manifestação no Palácio do Planalto
    Bandeira de Israel levada por apoiador do presidente Jair Bolsonaro durante manifestação no Palácio do Planalto Foto: Ueslei Marcelino/Reuters (03/05/2020)

    Da CNN, em São Paulo

    A embaixada de Israel no Brasil divulgou nota em que pede que o Holocausto não seja usado no debate político no país, após menções recentes feitas pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que comparou o inquérito sobre as chamadas fake news no Supremo Tribunal Federal (STF) à perseguição dos judeus pelo regime nazista da Alemanha.

    “Em nome da amizade forte entre nossos países, que cresce cada vez mais há 72 anos, requisitamos que a questão do Holocausto como também o povo judeu ou judaísmo fiquem à margem do diálogo político cotidiano e as disputas entre os lados no jogo ideológico”, pediu a embaixada israelense em nota.

    “O Holocausto é algo que não desejamos a nenhuma nação, e enfatizamos que isso não seja usado cotidianamente, mesmo em casos que sejam considerados extremos. Nada é tão extremo como o Holocausto, não apenas para os judeus, mas também para outras minorias que sofreram na Europa e no mundo”, acrescentou.

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    De acordo com a embaixada de Israel, país constantemente elogiado pelo presidente Jair Bolsonaro e por seus aliados, “houve um aumento da frequência de uso do Holocausto no discurso público, que de forma não intencional banaliza sua memória e também a tragédia do povo judeu”.

    Já a Confederação Israelita do Brasil (Conib) disse condenar a comparação, feita por Weintraub em postagem nas redes sociais, entre a Noite dos Cristais — realizada por forças paramilitares nazistas em 1938 que resultou na morte de centenas de judeus na Alemanha — e as operações de busca e apreensão da Polícia Federal contra apoiadores do presidente Jair Bolsonaro por disseminação de notícias falsas, realizadas ontem (27).

    Em nota, a entidade afirma que “a comparação feita pelo ministro Abraham Weintraub é, portanto, totalmente descabida e inoportuna minimizando de forma inaceitável aqueles terríveis acontecimentos, início da marcha nazista que culminou na morte de 6 milhões de judeus, além de outras minorias”.

    Na quarta-feira, por mais de uma vez, o ministro Weintraub usou sua conta no Twitter para comparar o cumprimento pela Polícia Federal de mandados de busca e apreensão determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, contra aliados e apoiadores de Bolsonaro à perseguição dos judeus na Alemanha nazista.

    “Cresci escutando como os Weintraub foram caçados e como sobreviveram ao inferno de Hitler. Escutei como a SS Totenkopft entrava nas casas das famílias inimigas do nazismo. Nesse momento sombrio, digo apenas uma palavra aos irmãos que tiveram seus lares violados: LIBERDADE!”, escreveu Weintraub em uma das publicações.

    “Hoje foi o dia da infâmia, VERGONHA NACIONAL, e será lembrado como a Noite dos Cristais brasileira. Profanaram nossos lares e estão nos sufocando. Sabem o que a grande imprensa oligarca/socialista dirá? SIEG HEIL!”, afirmou em uma segunda publicação, ao fazer referência ao episódio de 9 de novembro de 1938 na Alemanha nazista, quando sinagogas foram queimadas e estabelecimentos comerciais de judeus foram destruídos.

    No final de abril, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi criticado por entidades judaicas de dentro e de fora do Brasil por comparar as medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos para frear a disseminação do coronavírus –duramente criticadas por Bolsonaro– a campos de concentração nazistas.

    Com Reuters e Estadão Conteúdo