Empresas de cruzeiros decidem estender suspensão das operações até 4 de fevereiro

Atividades estavam suspensas até o dia 21 de janeiro por iniciativa das companhias do setor

Raphael CoracciniIuri CorsiniStéfano Sallesda CNN

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As companhias de cruzeiros decidiram estender a suspensão das suas atividades até pelo menos o dia 4 de fevereiro. A decisão, divulgada nesta quinta-feira (13), tem como objetivo estender as discussões sobre o controle da pandemia depois do aumento de casos em navios na costa brasileira.

“A Clia Brasil (Associação Brasileira de Navios de Cruzeiros) e seus associados tomaram a decisão de extensão do prazo de suspensão voluntária das operações nos portos do Brasil, prevista agora até o dia 4 de fevereiro de 2022″, disse a associação em nota. 

As empresas já haviam decidido pela suspensão das atividades até o dia 21 de janeiro depois do aumento do número de casos de Covid-19 nos navios depois que as viagens pela costa brasileira foram liberadas, em novembro de 2021, 20 meses depois do cancelamento de cruzeiros por conta do início da pandemia.

Nos primeiros dias de 2022, as companhias resolveram suspender novamente as operações de maneira voluntária por conta de “incertezas na interpretação e aplicação de protocolos previamente aprovados”, disse a associação do setor em comunicado à época.

Na última quarta-feira (12), a Anvisa recomendou que a temporada de cruzeiros fosse suspensa em definitivo por conta do aumento exponencial de casos.

A sugestão foi feita ao Ministério da Saúde e à Casa Civil da Presidência da República no intuito de evitar novas contaminações pelo coronavírus. O órgão federal considera que “o cenário atual é desfavorável à continuidade das operações dos navios de cruzeiro”.

A agência diz que vem avaliando a evolução do cenário epidemiológico do coronavírus a bordo dos navios e que “o cenário tem se tornado ainda mais desafiador tendo em vista, em especial, o aumento vertiginoso do número de casos nas embarcações e no Brasil”, informou em comunicado oficial.

Balanço feito pela agência no dia 6 de janeiro reguladora mostra que, nos 55 dias iniciais da temporada 2021/2022 de cruzeiros, foram contabilizados 31 casos a bordo das embarcações no Brasil. Esse período vai de 1º de novembro a 25 de dezembro.

A partir daí, no período de 12 dias entre 26 de dezembro e 6 de janeiro, o número de contaminações pelo coronavírus nos navios saltou para 1.146. Isso representa um aumento de quase 37 vezes.

Contudo, por parte da União, não foi implementada nenhuma proibição. Conforme estimativas das companhias de cruzeiros, a atual temporada, iniciada em novembro do ano passado, movimentaria mais de 360 mil turistas, com impacto de R$ 1,7 bilhão na economia, além da geração de 24 mil empregos diretos e indiretos.

Procurado para se manifestar sobre o tema, o Ministério da Saúde respondeu, por meio de nota, que “acompanha atentamente o debate acerca da suspensão da temporada de cruzeiros” e que, “em conjunto com a Anvisa, Estados e Municípios, são analisadas as questões sanitárias para avaliar a possibilidade de retomada ou não dos serviços. As medidas são definidas pelo governo federal, de forma interministerial, com coordenação da Casa Civil”, disse o ministério.

“Protocolos são rígidos”

A nota da Clia diz que a decisão de suspender os cruzeiros por mais tempo é uma medida mais rígida que as adotadas nos Estados Unidos. Segundo a entidade, “as autoridades de saúde reconheceram a eficácia dos protocolos da indústria de cruzeiros, que ajudaram a orientar o retorno do setor às operações na América do Norte”.

Apesar da prorrogação da suspensão das atividades, as empresas afirmaram que os protocolos usados dentro dos navios são mais rígidos que os utilizados por outras indústrias e que “permanecem eficazes para mitigar o risco de Covid19″, disse a associação no comunicado. 

“Além disso, o setor é o único que monitora, coleta e relata continuamente informações de casos diretamente aos órgãos governamentais”, disseram as empresas na nota ao afirmar que os protocolos exigem “comprovantes de vacinação, uso de máscaras e testagem contínua a bordo, uso de máscaras, distanciamento social e menor ocupação dos navios”. 

Segundo a Clia, “a incidência de doenças graves” durante as viagens de cruzeiro na costa brasileira “é dramaticamente menor do que em terra, e as hospitalizações têm sido extraordinariamente raras”.

Com informações de Fábio Munhoz e Isabelle Resende, da CNN

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