Encontro entre Rússia e Ucrânia domina atenção dos mercados nesta quinta-feira

Na volta ao mercado financeiro depois do Carnaval, os preços dos ativos foram ajustados sob três premissas: commodities no céu, inflação mais forte e prolongada à vista e alta dos juros

Thais Herédiada CNN

Em São Paulo

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As negociações de um possível acordo entre Rússia e Ucrânia domina a atenção dos mercados na manhã desta quinta-feira (3).

Na volta ao mercado financeiro depois do Carnaval, os preços dos ativos foram ajustados sob três premissas: commodities no céu, inflação mais forte e prolongada à vista e alta dos juros como resposta do Banco Central (BC).

Os preços de milho, trigo e gás natural sobem numa velocidade não vista há muitos anos.

O petróleo começa a quarta rodada de alta, com menor intensidade dos últimos dias, mas WTI e Brent com preços acima dos US$ 115.

Na Ásia, o dia foi positivo, embalado pela fala de Jerome Powell, do banco central americano, que estreou uma nova estratégia de comunicação. Pela primeira vez o chairman do Fed – o banco central americano – anunciou o que vai propor na reunião do Fomc (o comitê de política monetária americano) – uma alta de 0,25 ponto no juro americano.

As bolsas da Europa tentaram embarcar no mesmo ritmo, mas trocaram sinal, acionando a cautela sobre o oitavo dia da guerra na Ucrânia.

A maior expectativa para hoje está na mesa de negociação que deve acontecer com Rússia e Ucrânia de cada lado. Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores russo, disse nesta manhã que já estão prontos para conversar, mas vão seguir com ataques.

O governo ucraniano já admitiu que perdeu controle de Kherson, uma importante cidade portuária do país.

As sanções contra a Rússia continuam sendo anunciadas por governos e empresas, fechando as brechas para acesso, liquidação, venda e operação com ativos do país ou de russos no mercado internacional.

Os destaques desta quinta, para além da guerra, são dados de atividade econômica e inflação de países da Europa e dos Estados Unidos. Na Zona do Euro, a inflação dos produtores ficou acima dos 30% em janeiro.

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgou seu indicador de preços de janeiro, que subiu para 7,2%, a maior taxa desde 1991.

Brasil

Com a inflação na veia da economia internacional, no Brasil não é diferente. Em entrevista à CNN, a ministra da agricultura Tereza Cristina, admitiu que os preços dos alimentos devem subir com a alta das commodities e disse que está buscando alternativas para evitar que agricultura fique sem fertilizantes para safra que começa a ser plantada em setembro.

À Reuters, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, disse que a empresa ainda não tem decisão sobre elevação dos preços dos combustíveis – mas parece ser inevitável. Na conta dos especialistas, a defasagem dos preços passa de 25%, no caso do diesel, a diferença chega R$ 1.

No Brasil, o choque de preços tem dinâmica mais perversa e mais duradoura que em outros países, o que mantém expectativa para Selic – a taxa básica de juros – mais perto de 13% que de 12% este ano.

Índices

O Ibovespa futuro tem leve queda de 0,06%. O dólar cai, cotado a R$ 5,09, e o S&P futuro tem queda de 0,06%.

Agenda do Dia

Aqui no Brasil, o mercado volta a prestar atenção no Congresso Nacional que deve turbinar debate sobre controle dos preços dos combustíveis.

No exterior, dados de emprego, serviços e encomendas à indústria nos EUA. A secretário do tesouro americano, Janet Yellen fala em evento virtual ao meio-dia.

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