Ensino híbrido é adotado por maioria de escolas municipais, mostra pesquisa

Estudo da Undime, com apoio do Unicef e do Itaú Social, ouviu 2.851 municípios; sistema remoto ainda é o único em algumas unidades e preocupa especialistas

Um dado positivo da pesquisa mostra que 95,4% das redes vão concluir o ano letivo 2021 neste ano
Um dado positivo da pesquisa mostra que 95,4% das redes vão concluir o ano letivo 2021 neste ano jcomp/freepik

Carolina Fariascolaboração para a CNN

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Estudo com redes municipais de ensino de todo país mostra que desde da volta presencial às escolas, no segundo semestre de 2021, o sistema híbrido de educação, com aulas na escola e de forma remota, foi adotado pela maioria das redes administradas por prefeituras.

Mas, o levantamento, feito pela Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), com apoio do Unicef (do Fundo das Nações Unidas para a Infância) e Itaú Social, também mostra que entre 12% e 14% dessas redes ainda mantêm o ensino totalmente remoto.

De acordo com o estudo, que ouviu 2.851 municípios e representa cerca de 12 milhões de estudantes, nos primeiros anos iniciais do ensino fundamental, 52,7% das redes adotaram aulas remotas e presenciais, 34,6% integralmente nas salas de aulas e 12,7% totalmente on-line. Nos últimos anos do ensino fundamental, os índices são 53%, 33% e 14%, respectivamente.

“Ainda temos uma média de 14% que não retomaram o ensino presencial, o que é preocupante. A grande maioria já voltou com presenciais e combinados com remoto e presencial. Esperamos que o híbrido fique, mas com tecnologia. Agora, a volta vai depender da pandemia. Vivemos a incerteza de uma nova variante. Se não se mostrar agressiva, vamos voltar totalmente”, afirmou Luiz Miguel Garcia, dirigente municipal de Educação de Sud Mennucci (SP) e presidente da Undime.

A presença da nova variante do coronavírus no Brasil também preocupa sobre a volta total da abertura das escolas, mas está sendo observada pela Undime.

“Vivemos a incerteza de uma nova variante. Se não se mostrar agressiva, vamos voltar. A partir da pesquisa, vamos perguntar [para as redes] que não retornaram ao presencial, o que precisam para retornar. A variante ainda não apontou agravamento, mas sempre teremos protocolos como elemento norteador”, explicou Garcia.

Para a representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer, o ensino remoto tem limites, como o acesso à internet, a falta de estrutura em casa, entre outras e por isso é importante abrir as escolas.

“A pandemia deixou claro como a escola presencial é fundamental para garantir direito à educação adequada, com proteção à saúde mental e também proteger as crianças e adolescentes da violência”, disse Florence.

As redes municipais que retomaram as atividades presenciais, combinadas com o remoto, ou aquelas que voltaram somente com aulas na escola, responderam à pesquisa que a adesão pelos estudantes é total. São 56,2% dos primeiros anos do ensino fundamental que voltaram totalmente e 25,8% que responderam que mais da metade dos estudantes estão frequentando.

Nos anos finais do fundamental esses índices são de 52,4% e 26,6% respectivamente. Dos que frequentam a pré-escola 51,1% responderam que a volta foi integral e 23,9% que mais da metade das crianças voltaram para as aulas.

“De forma geral as redes avançaram no retorno, mas precisam continuar a progredir. Ainda temos redes que estão entre 12% e 14% totalmente remotos. O ambiente escolar é de proteção, favorece o pluralismo, interação entre pares, troca de ideias para além do aprendizado”, afirmou Julia Ribeiro, oficial de educação do Unicef no Brasil.

O levantamento também mostra que os protocolos de segurança para a volta dos estudantes para as escolas estão sendo cumpridos. A pesquisa revela que 82,2% das redes já concluíram os protocolos, outras 9,2% estão em fase de obras e 8,1% das usam o protocolo da Secretaria de Estado da Educação.

O objetivo da pesquisa foi coletar dados sobre como as Secretarias Municipais de Educação se planejaram para as atividades escolares e o calendário letivo deste ano e de 2022.

“Usamos a pesquisa com caráter científico e o resultado tem melhorado. É o sexto estudo desde o início da pandemia. Fazemos recortes estaduais e cada seccional dos Estados recebe a pesquisa e faz, a partir dela, um plano de ação de acordo com suas  realidades”, disse Garcia.

A oficial de Educação do Unicef também apontou como positivo os dados do estudo sobre os calendários escolares. A pesquisa mostra que 95,4% das redes vão concluir o ano letivo 2021 neste ano e 81,6% vai começar o próximo ano escolar em fevereiro.

“Isso mostra que os estudantes e as famílias estão mais confiantes de que é preciso voltar”, afirmou Julia.

Busca Ativa

Dos desafios identificados pela pesquisa para as redes municipais de ensino, aparecem o acesso à tecnologia pelos estudantes, a recuperação da defasagem de aprendizagem e a continuação do programa Busca Ativa, que procura diminuir os índices de evasão escolar.

A Busca Ativa Escolar é uma estratégia desenvolvida pela Unicef e Undime composta por uma metodologia social e uma ferramenta tecnológica oferecidas gratuitamente a Estados e municípios.

“A pesquisa aponta que 79% dos municípios usam a Busca Ativa. Quando se trabalha com ela a rede contribui com a percepção da exclusão escolar. É fundamental olhar para exclusão na escola e fora da escola, com as questões que contribuem como saúde, gravidez na adolescência, trabalho infantil, situações que contribuem para a evasão”, comentou a oficial do Unicef.

O presidente da Undime lembrou que o Unicef já identificou que 1,1 milhão de alunos saíram da escola na pandemia e que a pesquisa mostra que 0,9% das redes não realizaram a Busca Ativa.

“Não dá para aceitar a perda desses alunos. Ter a Busca ativa é sinônimo de que não deixaremos ninguém de fora. Esses 0,9% nos preocupa. Em um universo de 48 milhões de estudantes é muita coisa. Precisam ser objeto de ação das seccionais. Se deixarmos de fazer, com certeza os alunos não vêm.”

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