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    Entenda como vão funcionar as escolas cívico-militares em São Paulo

    Programa poderá ser implementado em unidades escolares já existentes ou em novas. Além das escolas estaduais, municípios também poderão aderir à iniciativa do governo paulista

    CED 01 da Estrutural, uma das escolas públicas do DF onde foi implementado o modelo cívico-militar
    CED 01 da Estrutural, uma das escolas públicas do DF onde foi implementado o modelo cívico-militar Marcelo Camargo/ Agência Brasil

    Isabela Moya, do Estadão Conteúdo

    Entre 50 e 100 escolas estaduais ou municipais no Estado de São Paulo devem ser transformadas em escolas cívico-militares ainda neste ano. O projeto é uma aposta do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) que começa a ganhar forma após ser aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) na última terça-feira, 21.

    O governador tem 15 dias para sancionar o projeto de lei.

    O Programa Escola Cívico-Militar irá direcionar pelo menos um policial militar da reserva para cada escola selecionada. Serão priorizadas as escolas com:

    • índices de rendimento escolar inferiores à média estadual;
    • índices de vulnerabilidade social;
    • índice de fluxo escolar (aprovação, reprovação e abandono).

    O programa poderá ser implementado em unidades escolares já existentes ou em novas. Além das escolas estaduais, municípios também poderão aderir à iniciativa do governo paulista.

    O militar da reserva irá atuar como monitor da escola, desenvolvendo atividades extracurriculares para além das disciplinas tradicionais. Essas atividades pretendem o “enfrentamento à violência e a promoção da cultura de paz no ambiente escolar”, além da melhoria da qualidade de ensino, segundo o governo.

    “O objetivo do modelo é desenvolver um ambiente escolar que promova avanço no processo de ensino-aprendizagem, a gestão de excelência dos processos educacionais, pedagógicos e administrativos e o fortalecimento de valores humanos e cívicos”, afirma a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

    O modelo é de responsabilidade conjunta das secretarias estaduais da Educação e da Segurança Pública:

    • Secretaria de Educação: seleciona as instituições de ensino que participarão do programa
    • Secretaria da Segurança Pública: indicação dos policiais militares da reserva

    A gestão pedagógica, o currículo e a formação de professores das escolas do Programa das Escolas Cívico-Militares continuarão sob responsabilidade da Secretaria de Educação, que assegura que o modelo não exclui nenhum programa já em andamento nas escolas.

    Para ser implantado, a maioria absoluta dos integrantes da comunidade escolar precisa aprovar o projeto por meio de consultas públicas.

    Não podem participar as instituições de ensino que:

    • Sejam a única da rede pública na zona urbana do município;
    • Ofertam ensino noturno;
    • Instituição rural, indígena, quilombola ou conveniada;
    • Com gestão compartilhada entre Estado e Municípios; ou
    • Oferecem exclusivamente a modalidade de ensino de educação de jovens e adultos.

    O investimento para o pagamento dos militares está previsto em R$ 7,2 milhões por ano. Os profissionais passarão por processo seletivo e atuarão pelo período máximo de cinco anos.

    No ano passado, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a interrupção do programa de escolas cívico-militares (Pecim), criado em 2019 pela gestão Jair Bolsonaro (PL).

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse à época, então, que iria criar “seu próprio programa de escolas cívico-militares”, o que está prestes a se concretizar agora.

    Repercussão

    A criação de escolas cívico-militares é alvo de críticas entre especialistas da educação e segurança pública. Olavo Nogueira Filho, diretor-executivo da organização não-governamental Todos Pela Educação, avalia que a tese de que o modelo gera melhores resultados acadêmicos não se sustenta, por não haver evidências, na literatura e em pesquisas, que comprovem desempenho superior.

    “Normalmente, as escolas militares utilizadas como parâmetro têm processo de seleção e custo per capita muito mais alto do que a média das escolas regulares. Além disso, dizer que uma boa gestão escolar, do ponto de vista de disciplina e organização, só pode ser feita por militares é sugerir, de certo modo, a falência do profissional da Educação. Um bom profissional de Educação garante, sim, entre outras coisas, disciplina, organização e valores”, argumenta.

    Na visão de Nogueira Filho, a medida não deveria ser política prioritária. “Esse é um exemplo de pauta que drena recursos públicos e drena ainda muita energia do debate público, tirando o foco daquilo que é essencial discutir, como a reforma do Ensino Médio, ensino em tempo integral, alfabetização, formação e valorização dos profissionais da educação, entre outras agendas prioritárias”, diz o especialista em gestão e políticas públicas.

    Alan Fernandes, especialista em segurança pública e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), compartilha da mesma preocupação com a criação de escolas cívico-militares na rede estadual de ensino. “Desconheço estudo que mostre que essas escolas favorecem um quadro de segurança pública onde se instalam”, afirma.

    Por outro lado, é possível haver um favorecimento da segurança interna da escola, mas isso seria possível apenas com a presença de policiais nas escolas, sem a implementação do modelo de ensino cívico militar, ele diz. “Até isso, os ganhos internos (de segurança) no ambiente escolar, é um pouco controverso”, pondera.

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