Entidades médicas rejeitam retorno de grávidas vacinadas ao trabalho presencial

Comissão na Câmara debateu possível volta das gestantes às atividades presenciais

Entidades se disseram contrárias ao retorno das grávidas ao trabalho presencial, mesmo com a imunização
Entidades se disseram contrárias ao retorno das grávidas ao trabalho presencial, mesmo com a imunização Foto: Divulgação / Pixabay

Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro 

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Entidades brasileiras de obstetrícia criticaram a possibilidade de um retorno ao trabalho presencial das mulheres gestantes ou puérperas, mesmo aquelas vacinadas com as duas doses do imunizante contra a Covid-19. A medida foi debatida, nesta terça-feira (13), pela comissão externa da Câmara dos Deputados destinada a acompanhar o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. 

O pedido partiu da deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), relatora da comissão. Ela considera “benéfica a manutenção da saúde das mulheres grávidas”, mas disse que a medida pode causar prejuízos trabalhistas para essas mulheres. 

“Com o avanço da vacinação, nos gera dúvida se já seria possível aperfeiçoar o texto da lei para que as gestantes, assim como os demais trabalhadores imunizados, possam gradualmente e dentro de um protocolo sanitário retornar às suas atividades presenciais”, destacou a relatora da comissão.  

A deputada também citou como exemplo a cidade do Rio de Janeiro, onde a prefeitura autorizou que as gestantes retornem ao trabalho presencial aproximadamente 15 dias após a total imunização contra a Covid-19.   

A reunião contou com representantes da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), do Departamento de Promoção da Dignidade da Mulher e da Atenção Integral à Gestante e à Maternidade-Substituta do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Também participaram do debate membros do Comitê Técnico do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde. 

Para a ginecologista e presidente da Comissão Nacional Especializada em Covid-19 da Febrasgo, o Brasil ainda não está em uma situação confortável para falar na possibilidade de um retorno ao trabalho por parte das gestantes. 

“Além das duas doses da vacina, é necessário que 70% da população esteja imunizada para considerar que elas estão seguras, e, por enquanto, não é nosso caso. Então, não estamos numa situação confortável para falar que a gestante pode voltar ao trabalho. Eu entendo toda a problemática, muitas gestantes trabalham atualmente apesar da lei para ter rendimento e sustentar suas famílias. Mas é muito importante que tentemos lutar por elas e pela segurança delas e de seus filhos”, ressaltou a médica.  

Ao passo que a comissão estuda um possível retorno ao trabalho presencial das grávidas, dados do Ministério da Saúde mostram que pelo menos 300 mulheres gestantes já morreram em decorrência do novo coronavírus. Apenas no primeiro semestre de 2021, foram contabilizados 800 casos de Covid-19 em grávidas no país.  

Procurada pela CNN, a prefeitura do Rio não se manifestou até o momento.

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