Entidades pedem que governo brasileiro aumente meta climática

Grupo que reúne agronegócio, empresas, setor financeiro e academia indicam temas importantes para a Conferência do Clima de Glasgow

Combate ao desmatamento é um dos itens propostos pelo grupo
Combate ao desmatamento é um dos itens propostos pelo grupo Adriano Machado/REUTERS

Beatriz Puenteda CNN*

No Rio de Janeiro

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O grupo Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura enviou uma lista com temas que devem ser considerados pelos negociadores que representarão o país na Conferência do Clima de Glasgow, com início no final deste mês.

O relatório “Recomendações para a COP 26” foi elaborado por entidades do agronegócio, empresas, organizações da sociedade civil, setor financeiro e academia.

Pressionado pela comunidade internacional, em abril, durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima organizada pelo presidente norte-americano, Joe Biden, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido), antecipou em 10 anos o prazo para neutralizar as emissões de gases de efeito estufa pelo país, mas o mercado não se convenceu muito das intenções.

Recentemente, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Leite, disse à CNN que o principal compromisso atual é com o desmatamento. A meta que deve ser reforçada na COP 26 pelo Brasil é a neutralidade de carbono em 2050, redução de 37% até 2025; e de 43% até 2030.

Prioridades

Com relação às metas, o grupo multissetorial insiste que o governo deve priorizar os investimentos em Soluções baseadas na Natureza (SbN), tais como a redução do desmatamento, agricultura de baixo carbono, restauração e silvicultura sustentável e com espécies nativas.

Além de zerar os índices de desmatamento, o documento aponta para a necessidade de incentivar a restauração de áreas classificadas como prioritárias para conservação da biodiversidade, segurança hídrica, mitigação climática, segurança alimentar e promoção da bioeconomia.

Um terço do desmatamento registrado na Amazônia no primeiro trimestre de 2021 ocorreu nas chamadas florestas públicas não destinadas (FPND), que ocupam 57,5 milhões de hectares e deveriam ser designadas para conservação ou uso sustentável.

Nas emissões de carbono, a coalizão recomenda a aprovação do Artigo 6º do Manual de Regras do Acordo de Paris, que regulamenta a criação de um mercado mundial de carbono.

Também é indicado que o Brasil aprove um marco regulatório sobre o seu mercado de redução de emissões. Do total de emissões brasileiras, 28% são geradas pela agropecuária e outras 44% pela conversão do solo, quase exclusivamente por desmatamento.

O documento será encaminhado à Presidência da República e aos ministros da Agricultura, Meio Ambiente, Casa Civil, Economia, Relações Exteriores, Desenvolvimento Regional e Ciência e Tecnologia.

Embaixadas, dezenas de parlamentares e líderes das duas casas do Congresso Nacional também receberão o relatório.

(*Sob supervisão de Adriana Freitas)

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