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    Especial Eleições 2022 – Tem mais LGBTQIAP+ na política!

    Nas eleições de domingo, o Brasil elegeu um número recorde de candidaturas declaradamente da comunidade. Ao todo são 18 parlamentares, incluindo as primeiras deputadas federais transexuais.

    O Congresso Federal iluminado em apoio ao Dia Internacional do Orgulho LGBT, nesta segunda-feira (28)
    O Congresso Federal iluminado em apoio ao Dia Internacional do Orgulho LGBT, nesta segunda-feira (28) Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

    Rafael Câmarada CNN São Paulo

    Até onde vai a nossa bandeira LGBT?

    Quando a balançamos nas ruas, pedimos respeito e, principalmente, direitos – para que possamos, com segurança (eu disse segurança), viver em sociedade.

    Mas o quanto essa bandeira realmente chama a atenção?

    Sem dúvida vamos mais longe quando quem a carrega conquistou um lugar na política e está disposta a reivindicar até o básico, que já deveria estar garantido em lei.

    Esse ano nós demos um passo importante, nessas eleições.

    O país elegeu um número recorde de candidaturas declaradamente parte da comunidade para nas diferentes esferas do Poder Legislativo no Brasil.

    Ao todo são 18 parlamentares – 13 deputados estaduais, 1 deputado distrital e 4 deputadas federais (essas últimas, todas mulheres).

    Isso significa o dobro (eu disse o dobro) dos candidatos eleitos em 2018.

    De acordo com a ONG VoteLGBT, que fez o mapeamento tanto das candidaturas quanto dos cargos eleitos, também conquistamos um novo recorde: de gênero e raça entre todas as candidaturas eleitas da nossa comunidade. 16 são mulheres. Destas, 14 são negras.

    Mas você parou para pensar qual a importância de grupos minoritários, como nós LGBTs, na política?

    “Sem diversidade não há democracia”

    A frase curta e significativa é da Evorah Cardoso, integrante do VoteLGBT.

    A gente não consegue traçar nenhum histórico mais aprofundado, mas precisamos de mais LGBTS, mulheres, negros e indígenas fazendo legislação. Quando a gente fala sobre a população LGBT isso é ainda mais grave porque o Congresso Nacional nunca aprovou nenhuma lei favorável à população LGBT. Todos os direitos foram conquistados por meio de decisões judiciais: como a criminalização da LGBTfobia, o direito ao casamento, direito ao nome.

    Evorah Cardoso, integrante da ONG Vote LGBT
    Evorah Cardoso, coordenadora da #VoteLGBT / Divulgação

     

    Ainda lutamos pelo básico. Leis que possam efetivamente nos proteger. E o caminho para conquistarmos mais direitos é um só: elegendo representantes que conheçam de perto as nossas dores.

    E está sendo marcante para a comunidade.

    Nessas eleições a gente teve um aumento significativo, o Vote LGBT divulgou que são 18 pessoas LGBTs que foram eleitas, sendo 5 delas mulheres trans e dois homens gays cisgêneros, então esse é um momento significativo para todo o Brasil

    Renan Quinalha, especialista da CNN em direitos humanos e diversidade
    Renan Quinalha, especialista CNN / Acervo pessoal

    E nesses números que só nos orgulham, duas mulheres trans fazem história. Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP) são as primeiras parlamentares trans do Congresso Nacional. Aliás, Erika Hilton bateu mais uma marca histórica: foi eleita entre os 20 mais votados para a Câmara dos Deputados, ocupando a 17ª posição com 256.903 votos.

    Sim. Existimos e ocupamos espaços.

    A representatividade LGBTQIA+ nessas eleições demonstram a estratégia que vem se desenhando desde 2014, quando se começou a trabalhar para a campanha de 2016. A gente tinha na cabeça a ideia de que precisaria ocupar esses espaços.” A ideia que está dando certo tem a ajuda de Keila Simpson, presidente da ANTRA, Associação Nacional de Travestis e Transexuais.

    Para essas pessoas trans, eleitas para o Congresso Nacional pela primeira vez na história, não será uma atuação fácil, nada nunca foi fácil para nós. Elas sabem que vão enfrentar muitos desafios e nós vamos estar aqui no suporte. Se esse país é um país democrático, ele tem que dar chance de todas as pessoas que vivem nesse país disputar cargos eletivos e os mais altos cargos também

    Keila Simpson, presidente da ANTRA, Associação Nacional de Travestis e Transexuais
    Ativista brasileira Keila Simpson, presidente da ANTRA / 05/05/2022 REUTERS/Carla Carniel

    O número de candidaturas também fez história nessas eleições. Foram 317 LGBTs na disputa pelos cargos.

    Isso também comprova que existe um espaço político sendo aberto cada vez mais e com foco nessas mudanças para ocuparmos mais e mais esse espaço: a política nacional.

    Considerando todos os cargos de Legislativo, Executivo, todos os níveis federais, município, Estado e União, que são resultantes de eleições, LGBTs ocupam só 0,16% dos cargos políticos. E não vão ser 9 candidatos a mais eleitos que vão mudar essa proporção nacional. Então a gente tem um caminho pela frente.

    Evorah Cardoso, integrante do VoteLGBT

    O caminho é longo e cheio de dificuldades. Mas nada que supere a batalha diária que nós, da comunidade LGBTQIAP+, precisamos travar para sobreviver e sobressair nas mais diversas áreas de nossas vidas.

    Então é certo que um dia a gente chega lá.

    • Produção: Letícia Brito e Talita Amaral