Especial Eleições 2022 - Tem mais LGBTQIAP+ na política!

Nas eleições de domingo, o Brasil elegeu um número recorde de candidaturas declaradamente da comunidade. Ao todo são 18 parlamentares, incluindo as primeiras deputadas federais transexuais.

Rafael Câmara, da CNN, São Paulo
Compartilhar matéria

Até onde vai a nossa bandeira LGBT?

Quando a balançamos nas ruas, pedimos respeito e, principalmente, direitos – para que possamos, com segurança (eu disse segurança), viver em sociedade.

Mas o quanto essa bandeira realmente chama a atenção?

Sem dúvida vamos mais longe quando quem a carrega conquistou um lugar na política e está disposta a reivindicar até o básico, que já deveria estar garantido em lei.

Esse ano nós demos um passo importante, nessas eleições.

O país elegeu um número recorde de candidaturas declaradamente parte da comunidade para nas diferentes esferas do Poder Legislativo no Brasil.

Ao todo são 18 parlamentares – 13 deputados estaduais, 1 deputado distrital e 4 deputadas federais (essas últimas, todas mulheres).

Isso significa o dobro (eu disse o dobro) dos candidatos eleitos em 2018.

De acordo com a ONG VoteLGBT, que fez o mapeamento tanto das candidaturas quanto dos cargos eleitos, também conquistamos um novo recorde: de gênero e raça entre todas as candidaturas eleitas da nossa comunidade. 16 são mulheres. Destas, 14 são negras.

Mas você parou para pensar qual a importância de grupos minoritários, como nós LGBTs, na política?

“Sem diversidade não há democracia”

A frase curta e significativa é da Evorah Cardoso, integrante do VoteLGBT.

A gente não consegue traçar nenhum histórico mais aprofundado, mas precisamos de mais LGBTS, mulheres, negros e indígenas fazendo legislação. Quando a gente fala sobre a população LGBT isso é ainda mais grave porque o Congresso Nacional nunca aprovou nenhuma lei favorável à população LGBT. Todos os direitos foram conquistados por meio de decisões judiciais: como a criminalização da LGBTfobia, o direito ao casamento, direito ao nome.
Evorah Cardoso, integrante da ONG Vote LGBT

 

Ainda lutamos pelo básico. Leis que possam efetivamente nos proteger. E o caminho para conquistarmos mais direitos é um só: elegendo representantes que conheçam de perto as nossas dores.

E está sendo marcante para a comunidade.

Nessas eleições a gente teve um aumento significativo, o Vote LGBT divulgou que são 18 pessoas LGBTs que foram eleitas, sendo 5 delas mulheres trans e dois homens gays cisgêneros, então esse é um momento significativo para todo o Brasil
Renan Quinalha, especialista da CNN em direitos humanos e diversidade

E nesses números que só nos orgulham, duas mulheres trans fazem história. Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP) são as primeiras parlamentares trans do Congresso Nacional. Aliás, Erika Hilton bateu mais uma marca histórica: foi eleita entre os 20 mais votados para a Câmara dos Deputados, ocupando a 17ª posição com 256.903 votos.

Sim. Existimos e ocupamos espaços.

A representatividade LGBTQIA+ nessas eleições demonstram a estratégia que vem se desenhando desde 2014, quando se começou a trabalhar para a campanha de 2016. A gente tinha na cabeça a ideia de que precisaria ocupar esses espaços.” A ideia que está dando certo tem a ajuda de Keila Simpson, presidente da ANTRA, Associação Nacional de Travestis e Transexuais.

Para essas pessoas trans, eleitas para o Congresso Nacional pela primeira vez na história, não será uma atuação fácil, nada nunca foi fácil para nós. Elas sabem que vão enfrentar muitos desafios e nós vamos estar aqui no suporte. Se esse país é um país democrático, ele tem que dar chance de todas as pessoas que vivem nesse país disputar cargos eletivos e os mais altos cargos também
Keila Simpson, presidente da ANTRA, Associação Nacional de Travestis e Transexuais

O número de candidaturas também fez história nessas eleições. Foram 317 LGBTs na disputa pelos cargos.

Isso também comprova que existe um espaço político sendo aberto cada vez mais e com foco nessas mudanças para ocuparmos mais e mais esse espaço: a política nacional.

Considerando todos os cargos de Legislativo, Executivo, todos os níveis federais, município, Estado e União, que são resultantes de eleições, LGBTs ocupam só 0,16% dos cargos políticos. E não vão ser 9 candidatos a mais eleitos que vão mudar essa proporção nacional. Então a gente tem um caminho pela frente.
Evorah Cardoso, integrante do VoteLGBT

O caminho é longo e cheio de dificuldades. Mas nada que supere a batalha diária que nós, da comunidade LGBTQIAP+, precisamos travar para sobreviver e sobressair nas mais diversas áreas de nossas vidas.

Então é certo que um dia a gente chega lá.

  • Produção: Letícia Brito e Talita Amaral