
Especialista explica o que será discutido na COP30 em Belém
Durante o CNN Novo Dia, Paulo Artaxo destaca eliminação de combustíveis fósseis e fim do desmatamento entre principais pautas do evento
A COP30, que acontecerá em Belém entre os dias 10 e 21 de novembro, terá cinco temas fundamentais em pauta para enfrentar a crise climática global, explicou Paulo Artaxo, especialista em mudanças climáticas, que integra um comitê científico que assessora a presidência da conferência, durante entrevista ao CNN Novo Dia nesta segunda-feira (3). "Precisamos nos adaptar ao novo clima, porque o clima já mudou e vai continuar mudando", frisou.
Os cinco pilares da conferência
Entre as prioridades, destaca-se a necessidade de estabelecer medidas para acabar com a exploração e uso de combustíveis fósseis, responsáveis por 90% das emissões de gases de efeito estufa, disse o especialista. O fim do desmatamento na Amazônia e em todas as florestas tropicais também figura como ponto crucial nas discussões.
A estruturação de mecanismos de financiamento para países em desenvolvimento realizarem sua transição energética e a adaptação ao novo clima são outros temas centrais. Além disso, a conferência buscará reconstruir um ambiente de multilateralidade para cooperação entre países no enfrentamento da crise climática.
Impactos na Amazônia
A escolha de Belém como sede do evento é emblemática, considerando que a Amazônia enfrenta dois processos críticos: o desmatamento e a degradação florestal.
Artaxo alerta que o aumento da temperatura e a redução da precipitação estão causando estresse ao ecossistema, que contém mais de 120 bilhões de toneladas de carbono armazenado.
A degradação da floresta pode resultar na liberação desse carbono para a atmosfera, agravando ainda mais a crise climática. Por isso, segundo o especialista, é fundamental estabelecer mecanismos de financiamento para preservação das florestas tropicais e eliminar o uso de combustíveis fósseis.
Desafios nas negociações
Apesar da ausência dos Estados Unidos, segundo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, Artaxo mantém otimismo em relação aos resultados da conferência. Ele ressalta que o Acordo de Paris representa a única alternativa internacional para garantir um clima estável para o futuro da humanidade, destacando a importância da justiça climática na proteção das populações mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas.


