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    Exclusivo: 83% dos docentes da rede pública querem continuar lecionando, diz pesquisa

    Educação ocupa lugar central na vida destes profissionais no Brasil; Instituto iungo e USP ouviram 2.000 professores

    Daniela MallmannMathias BroteroTalita Amaralda CNN

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    Se, para os alunos, uma sala de aula serve como uma passagem para o mundo, é exatamente nesse tipo de ambiente que a maioria dos educadores da rede pública quer estar. Uma pesquisa do Instituto iungo em parceria com o Núcleo de Novas Arquiteturas Pedagógicas da USP (NAP/USP) obtida com exclusividade pela CNN revela que a educação ocupa um lugar central nos projetos de vida de 8 em cada 10 professores da rede pública no Brasil.

    Os resultados do levantamento mostram que 83% dos docentes pretendem seguir atuando em sala de aula, e que seus planos se resumem a três temas principais: busca por excelência e qualidade na educação (presente em 88% das respostas); adoção de ética profissional e pessoal (56%); e o compromisso com a educação e profissão (100%).

    Ainda, 50% querem impactar positivamente a vida dos estudantes e comunidade, enquanto 30% querem cuidar e responsabilizar-se por suas famílias, pensando na dimensão ética que isso comporta.

    A pesquisa foi realizada em 2021, com 2.000 professores, ainda com um cenário de suspensão de aulas presenciais devido à pandemia da Covid-19. Valéria Arantes, coordenadora da pesquisa e diretora do NAP/USP, avalia que, considerando que os dados foram coletados neste cenário desafiador, com ansiedade, estresse e outros problemas, um ponto relevante levantado é o desejo em buscar alternativas.

    Cláudia Sosinho, professora de duas escolas públicas do Rio de Janeiro, pontua que a formação, tanto acadêmica quanto humana, e qualificação são fundamentais. Ela se atualiza em conversas com seus colegas, alunos e cursos.

    Porém, essa atualização é um dos desafios em um ambiente com troca de informações cada vez mais rápida. Além dos cursos, é necessário entender, dialogar e escutar os alunos.

    Especialistas defendem também que a troca de ideias entre docentes seja um dos principais métodos adotados em cursos de aperfeiçoamento e formação de professores.

    “A gente deseja que as secretarias de educação conheçam e se apropriem dessas informações para que possam considerá-las nos momentos de estruturar programas de formação e sua estrutura de formação junto aos professores das redes”, diz Paulo Andrade, diretor do Instituto Iungo.

    Arantes avalia que, antes de tudo, o profissional da educação precisa entender o projeto de vida dele e exercitar o autoconhecimento, humanizando a formação.

    Rafael Canudense, professor de uma escola no Jardim Guarujá, na zona sul de São Paulo, é um dos docentes que valoriza um método de ensino que leve em conta a realidade de cada indivíduo.

    “A educação é a asa do conhecimento que vai poder te fazer voar para lugares que você nunca imaginou”, afirma Canudense.

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