Extremos meteorológicos podem se tornar “novo normal”, diz meteorologista

Estael Sias, meteorologista da MetSul Meteorologia, diz que as mudanças climáticas podem ajudar a causar mais tempestades de areia no país

Produzido por Elis Francoda CNN

Em São Paulo

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As tempestades de areia como a que atingiu o Mato Grosso do Sul podem se tornar comuns por conta das mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global. O alerta é da meteorologista da MetSul Meteorologia, Estael Sias, em entrevista à CNN neste sábado (16).

“Os extremos meteorológicos têm acontecido de forma global, consequência do aquecimento global. De 2000 para cá, todos os anos temperaturas acima da média no planeta. Quanto mais calor, os extremos acontecem, tanto os de seca quanto os de tempestade. É o que estamos verificando no Brasil. Pode ser que a gente evolua para um quadro de ‘novo normal’ nessa característica de extremos mais frequentes e teremos de nos adaptar a essa nova realidade”, afirma.

Ela concorda que fenômenos como esse eram raros por aqui. “De fato não é algo comum no Brasil. Todo fim de estação seca é marcado por temporais e há realmente muitas vezes levantamento de poeira, mas na dimensão e intensidade que temos registrad traz características que lembram condição meteorológica de deserto”.
E a situação pode se repetir em outros locais. “Não está dentro da nossa rotina prever tempestades de areia mas, dentro do contexto que está acontecendo, tem áreas do Brasil que ainda não tiveram tempestades da estação chuvosa, como o interior do Nordeste e o sul da região Norte do país. Na medida em que a chuva atingir essas regiões, não dá para se descartar que haja esse mesmo efeito nas áreas que estão na estação seca”.
E não para por aí. “Nos próximos 10 dias, o Sudeste e o Centro-Oeste vão viver uma verdadeira onda de tempestades, com volumes de precipitação que podem ser muito altos, especialmente em Minas Gerais”, diz a meteorologista.

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