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    São Sebastião sofre com falta de combustível e racionamento de gasolina nos postos

    Postos estão racionando o produto à base de R$ 100 por veículo, que corresponde a 20 litros de gasolina por carro

    Trecho da rodovia SP-55 Rio-Santos entre o centro de São Sebastião e o bairro de Boiçucanga, após deslizamentos no litoral norte de São Paulo
    Trecho da rodovia SP-55 Rio-Santos entre o centro de São Sebastião e o bairro de Boiçucanga, após deslizamentos no litoral norte de São Paulo Rovena Rosa/Agência Brasil

    Do Estadão Conteúdo

    José Maria Tomazela, do Estadão Conteúdo

    Turistas que tentam deixar de carro a região de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, além da Rodovia Rio-Santos, bloqueada por deslizamentos, enfrentam a falta de combustível. Os postos que ainda têm estoques estão racionando o produto à base de R$ 100 por veículo, que corresponde a 20 litros de gasolina por carro.

    Na manhã desta quarta-feira (22), o empresário Wagner Teixeira, dono de um posto em Boiçucanga, à margem da rodovia, tinha combustível para apenas três horas. “Eu estou com 4 mil litros de gasolina e limitei a R$ 100 reais por carro, por isso que ainda sobrou um pouquinho. Os outros postos da região estão sem nada”, disse.

    Teixeira reabriu o posto na manhã de terça-feira (21), após ficar dois dias fechado para limpeza. Seu estabelecimento foi alagado pela inundação e as bombas de combustível foram atingidas.

    O bancário Rodrigo Palhares Costa, de Mogi das Cruzes, cidade da região metropolitana de São Paulo, que estava em Boiçucanga desde a última sexta-feira (17) ficou aliviado ao conseguir o abastecimento parcial.

    “É gasolina suficiente para chegar em casa. Passei em outros dois postos e só tinha diesel. Estou com filhos pequenos no carro e é um alívio ir para casa depois de tudo isso”, disse, referindo-se a tragédia das chuvas no litoral norte paulista.

    O frentista Fábio Andrade, de um posto na Avenida Guarda Mor, em São Sebastião, disse que a gerência limitou o abastecimento a R$ 100 de gasolina e R$ 120 de etanol por carro.

    “Chegamos a ficar com muita fila ontem (terça) à tarde e, com receio de acabar, fizemos essa limitação. Estamos esperando a chegada do caminhão (com combustível) para hoje à tarde.”

    De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), regional do Vale do Paraíba, os caminhões das distribuidoras tiveram dificuldade para atender os postos de São Sebastião por causa das rodovias interditadas pelos efeitos das chuvas. A previsão é de que a situação se normalize ao longo do dia.

    Com a Rio-Santos totalmente interditada no km 174, entre Juquehy e Barra do Sahy, os turistas que deixavam São Sebastião na manhã desta quarta tinham na Rodovia dos Tamoios a principal via de saída. A subida era feita pelo trecho novo na serra, que estava com bastante tráfego, mas sem congestionamento.

    Para deixar as praias de Barra do Sahy (ao norte do trecho interditado), Camburi e Camburizinho, o motorista tinha como opção a própria Rio-Santos, com bloqueios parciais em alguns pontos, e a pista de subida da Tamoios.

    No sentido oposto, o turista que está em Juquehy e Barra do Una pode pegar a Rio-Santos sentido Bertioga e fazer a subida pela Imigrantes. Isso porque a Rodovia Mogi-Bertioga, que seria opção de subida, também está interditada.

    Chuva recorde

    Os temporais do fim de semana de carnaval no litoral norte de São Paulo se tornaram os maiores registrados na História do Brasil. De acordo com o Centro Nacional de Previsão de Monitoramento de Desastres (Cemaden), as chuvas do último sábado (18) e domingo (19) resultaram no acumulado de 682 mm em Bertioga e 626 mm em São Sebastião, maiores valores acumulados já registrados no país.

    Segundo balanço mais recente do governo do Estado, 48 pessoas morreram em decorrência das chuvas no litoral – 47 em São Sebastião e em Ubatuba.