Fernanda Montenegro e Gilberto Gil disputam vaga na ABL; veja como funciona processo

Academia Brasileira de Letras tem atualmente cinco cadeiras vagas e 12 candidatos a "imortais"

Rodrigo Silva

Anna Gabriela Costada CNN

em São Paulo

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Com cinco cadeiras vagas, a Academia Brasileira de Letras (ABL) tem atualmente 12 personalidades candidatas à se tornarem “imortais”. O processo para eleger um membro dispõe de influências similares à da política, e além da forte contribuição intelectual, é importante cativar votos com os acadêmicos.

A vaga mais recente foi aberta nesta quinta-feira (9). O acadêmico e professor Tarcísio Padilha, ocupante da cadeira número 2 da ABL, morreu nesta quinta-feira (9), no Rio de Janeiro, vítima da Covid-19. Seu posto deve ter um novo ocupante até o início de 2022. A abertura da inscrição para ocupar sua cadeira irá ocorrer após a conclusão das homenagens na “Sessão de Saudade”, cerimônia dedicada à cada membro que falece.

A atriz Fernanda Montenegro disputa atualmente a cadeira 17, que pertenceu a Affonso Arinos de Mello Franco. Tamanho é o prestígio da dama do teatro brasileiro, que Montenegro está sem concorrentes para a vaga. Entretanto, ser o único candidato não garante a aprovação, uma vez que os acadêmicos podem optar por não eleger, caso a pessoa não se enquadre no perfil.

Porém, com quase 80 anos dedicados à dramaturgia, Fernanda Montenegro é um desejo antigo dos acadêmicos, que insistiram por sua candidatura. Portanto, em breve o Brasil poderá ter sua dama do teatro imortalizada em uma cadeira da Academia Brasileira de Letras.

A cadeira 20, que pertenceu a Murilo Melo Filho, está com dois candidatos de peso: o cantor Gilberto Gil e o poeta Salgado Maranhão.

Há algum tempo, a Academia Brasileira de Letras busca maior valorização da cultura popular brasileira, e também dispersa dos padrões romancistas e literários. Sendo assim, há membros historiadores, padres, médicos, como por exemplo o cirurgião plástico Ivo Pitanguy. O essencial é ter escrito um livro de grande importância, explica a ABL.

Acadêmico e professor Tarcísio Padilha, imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) / Guilherme Gonçalves/Acervo ABL

Paulo Niemeyer, Gabriel Chalita, Joaquim Branco e Daniel Munduruku querem se tornar um imortal ocupando a cadeira 12, que pertenceu a Alfredo Bossi.

Já a cadeira 39, que era de Marco Maciel, é a que soma mais candidatos até o momento: José Paulo Cavalcanti, Edney Silvestre, Ricardo Cavaliere, Godofredo de Oliveira Neto e Raquel Naveira.

Como se candidatar à Academia Brasileira de Letras

O estatuto da ABL estabelece que para alguém se candidatar ao posto de “imortal” é preciso ser brasileiro nato e ter publicado, em qualquer gênero da literatura, obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livros de valor literário.

“Seguindo o modelo da Academia Francesa, a ABL é constituída por 40 membros efetivos e perpétuos. Além deste quadro, existem 20 membros que atuam como correspondentes estrangeiros”, afirma a ABL.

Como funciona o processo de votação

Quando um acadêmico morre, a cadeira é declarada vaga na chamada “Sessão de Saudade”, que ocorre às quintas-feiras e homenageia internamente o acadêmico.

A partir de então os interessados dispõem de dois meses para se candidatarem por meio de carta ou e-mail enviados ao presidente da academia. Os “imortais” são escolhidos mediante eleição por escrutínio secreto.

À CNN, a assessoria da ABL explicou que o processo consiste em também em “ir atrás de votos”, e de certa forma, fazer sua campanha e convencer os imortais sobre merecimento da almejada cadeira.

Datas das próximas eleições

  • Cadeira número 17: 4 de novembro;
  • Cadeira número 20: 11 de novembro;
  • Cadeira número 12: 18 de novembro (encerramento das inscrições em 17/09)
  • Cadeira número 39: 24 de novembro (encerramento das inscrições em 24/09)

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