Membro da ABL, Tarcísio Padilha morre vítima da Covid-19 aos 93 anos

Com a morte do acadêmico, a Academia Brasileira de Letras já tem cinco cadeiras declaradas vagas neste ano

Acadêmico e professor Tarcísio Padilha, imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL)
Acadêmico e professor Tarcísio Padilha, imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Reprodução / ABL

Rafaela Larada CNN

em São Paulo

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O acadêmico e professor Tarcísio Padilha, imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), morreu na manhã desta quinta-feira (9), no Rio de Janeiro, vítima da Covid-19.

Diante da recomendação de se evitar reuniões e aglomerações devido à pandemia, não haverá velório, informou a ABL em nota. O presidente da academia, Marco Lucchesi, afirmou que a instituição perdeu “uma de suas figuras mais queridas e admiradas”.

“Tarcísio participou da criação de universidades, fundou cátedras, cursos de pós-graduação, conquistando amigos e discípulos. Foi reconhecido como filósofo da esperança não porque a estudou, mas porque soube aplicá-la com sabedoria na sua mundivisão. Ex-presidente da sociedade internacional de filósofos católicos, foi amigo dos últimos Papas, sobretudo de João Paulo II”, disse Lucchesi.

Com a morte do acadêmico, a ABL já tem cinco cadeiras declaradas vagas neste ano. Já há inscritos para quatro cadeiras e o processo de avaliação para eleição dos novos membros demora, em média, três meses.

Com isso, os quatro novos imortais da ABL devem ser escolhidos em novembro. Padilha ocupava a cadeira de número 2 desde 1997 e presidiu a ABL em 2000 e 2001. O posto que pertenceu a Padilha deve ter um novo ocupante até o início do próximo ano.

Padilha foi professor titular de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e de diversas outras instituições superiores do estado, como a Pontifícia Universidade Católica e a Universidade Santa Úrsula. Ele também era membro do corpo permanente da Escola Superior de Guerra.

Escolha de novos imortais

O estatuto da ABL estabelece que para alguém se candidatar ao posto de “imortal” é preciso ser brasileiro nato e ter publicado, em qualquer gênero da literatura, obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livros de valor literário.

Seguindo o modelo da Academia Francesa, a ABL é constituída por 40 membros efetivos e perpétuos. Além deste quadro, existem 20 membros que atuam como correspondentes estrangeiros.

Os “imortais” são escolhidos mediante eleição por escrutínio secreto.

Quando um acadêmico morre, a cadeira é declarada vaga na chamada Sessão de Saudade, e a partir de então os interessados dispõem de dois meses para se candidatarem por meio de carta enviada ao presidente da academia.

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