Fome só se resolve com política pública integradora, diz especialista

Segundo dados recentes da ONU (Organização das Nações Unidas), a fome atinge 690 milhões de pessoas em todo o mundo

Produzido por Layane Serrano, da CNN em São Paulo

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Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (28), Daniel Balaban, representante no Brasil do Programa Mundial de Alimentos (WFP) e diretor do Centro de Excelência contra a Fome, afirmou que a fome é um problema estrutural do país e, por isso, a ajuda humanitária não resolverá o problema.

Segundo dados recentes da ONU (Organização das Nações Unidas), a fome atinge 690 milhões de pessoas em todo o mundo.

“A fome não pode esperar, então uma pessoa que neste momento está passando fome precisa do apoio da sociedade civil, igrejas e todos aqueles que têm um pouco a mais e que podem compartilhar com uma quentinha, cesta básica e recursos para que as pessoas tenham condições de comprar”, disse Balaban.

“Mas infelizmente isso não resolve o problema, que é estrutural do país. A fome é fruto da extrema pobreza, e não vai se resolver através de ajuda humanitária. O padre Júlio Lancelotti faz tudo que pode para resolver, mas não vai conseguir resolver um problema estrutural que só se resolve com políticas públicas integradoras e que façam com que essas pessoas voltem à cidadania e tenham recursos para sobreviver.”

Além disso, o especialista garantiu que não foi a pandemia da Covid-19 e suas consequências, como o desemprego e o isolamento social, que causaram a situação.

“Muitas vezes, as pessoas colocam a culpa na pandemia pela volta da fome. Não, a pandemia tem culpa de outras coisas, como a de matar muita gente. A pandemia apenas acelerou o processo que já vinha crescendo desde o ano de 2016 e 2017, quando o Brasil passou a enfrentar crises econômicas.”

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