Força-tarefa do MP-SP retoma trabalhos e planeja oitivas de pacientes da Prevent

A partir de quinta-feira (14) será retomada a fase de oitivas. Além de parentes de vítimas, os promotores vão colher depoimentos de pacientes que foram submetidos ao chamado tratamento precoce em unidades da operadora

Everton Souzada CNN

Em São Paulo

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Depois de ouvir seis familiares de pacientes da Prevent Senior que morreram após passarem por tratamento para a Covid-19, a força-tarefa do Ministério Público de São Paulo retoma os trabalhos nesta quarta-feira (13). O dia será dedicado a análise de documentos, principalmente os que já foram apresentados na CPI da Pandemia em Brasília.

A partir de quinta-feira (14) será retomada a fase de oitivas. Além de parentes de vítimas, os promotores vão colher depoimentos de pacientes que foram submetidos ao chamado tratamento precoce em unidades da operadora.

Um deles será do advogado Tadeu Andrade, de 65 anos, que também foi ouvido em Brasília na CPI da Pandemia. Ele relatou que passou mal ao receber remédios do chamado “kit Covid”, sem eficácia comprovada, e teve várias complicações.

Base de investigações

A base dessa investigação são documentos da CPI que indicam que a operadora de saúde teria realizado testes com mais de 600 pacientes no início da pandemia, entre março e abril do ano passado.

Nove pessoas morreram, segundo esses documentos. Além disso, os promotores informaram que mais 12 familiares de pacientes da Prevent procuraram o MP-SP para denunciar irregularidades.

Os promotores querem descobrir se os remédios prescritos nas unidades da Prevent causaram a morte de pacientes tratados por causa da Covid-19. As denúncias envolvem ainda falsificação de atestado de óbito e alteração de dados da pandemia.

Os depoimentos, segundo os promotores, são em conjunto com a Polícia Civil de São Paulo, que já abriu dois inquéritos contra a operadora.

A força-tarefa descartou a exumação dos corpos por enquanto, mas vai analisar prontuários médicos, fichas dos pacientes e verificar se existiam comorbidades. Médicos do próprio MP farão perícias e irão analisar a relação entre as comorbidades dos pacientes e os medicamentos utilizados pela operadora.

As responsabilidades criminais serão individualizadas caso haja constatação. Além de se tornar alvo da CPI da Pandemia, a Prevent Senior passou a ser investigada pelo Ministério Público de São Paulo, o Ministério Público do Trabalho, a Câmara de Vereadores da capital paulista e pode ser investigada também pela Assembleia Legislativa de São Paulo.

Investigação sobre coação

Em paralelo, o Ministério Público do Trabalho em São Paulo também abriu um inquérito para apurar a denúncia de que os médicos foram coagidos a receitar e distribuir aos pacientes com Covid-19 da Prevent Senior medicamentos não indicados para o tratamento da doença, o chamado “kit Covid”, sem o consentimento dos pacientes e dos familiares.

Os médicos também teriam sido coagidos a dar alta aos pacientes ou retirá-los da UTI dos hospitais da Prevent antes do que consideravam correto.

Há também a denúncia, segundo o MPT, que os médicos foram obrigados a trabalhar mesmo com o diagnóstico confirmado de Covid-19. Quem se recusasse a seguir as normas era demitido.

Será formado um Grupo Especial de Atuação Finalística (GEAF), composto por seis procuradores e procuradoras do Trabalho, para atuar no inquérito civil e nessa notícia de fato. A formalização desse grupo deve sair nos próximos dias.”

Em nota, a Prevent Senior afirmou que “respeita a autonomia dos médicos e vai colaborar com as investigações”.

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