Governo de SP monta plano para transformar hotéis em hospitais anti-coronavírus

Uma rede com cerca de três mil leitos já sinalizou que está disposta a fazer a parceria

Comércio fechado e rua vazia no centro de São Paulo após decretação de quarentena pelo coronavírus no estado (24.03.2020)
Comércio fechado e rua vazia no centro de São Paulo após decretação de quarentena pelo coronavírus no estado (24.03.2020) Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

Por Pedro Duran

Da CNN, em São Paulo

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O governo de São Paulo e associações do setor hoteleiro estão negociando usar a rede de hotéis do estado de São Paulo para ajudar no combate ao coronavírus. O plano foi elaborado pelas secretarias estaduais de Turismo e Saúde e conta com a adesão de empresários. A reportagem da CNN teve acesso com exclusividade a informações deste mapeamento. Uma rede com cerca de três mil leitos já sinalizou que está disposta a fazer a parceria.

Os hotéis seriam usados com quatro finalidades:
1 – abrigar profissionais da saúde que estejam trabalhando no combate ao vírus
2 – abrigar idosos e pessoas com doenças que aumentam riscos no caso de uma infecção, para isolamento
3 – abrigar pessoas que testaram positivo para o coronavírus e estão assintomáticas
4 – abrigar pacientes com casos mais delicados, transformando o hotel em um hospital

Perfil dos hotéis

Estão na mira do governo hotéis que fiquem de 3 km a 10 km de áreas de maior espalhamento do vírus, como a capital paulista e as cidades mais populosas – é o caso de Campinas, no interior. O projeto ajudaria a levar renda para o setor especialmente em cidades onde decretos municipais impedem o funcionamento de hotéis – como no Guarujá, no litoral sul.

O mapeamento que está sendo finalizado leva em consideração hotéis de duas e três estrelas e alguns poucos de quatro estrelas. O governo vê no plano uma retaguarda para as equipes de saúde, que podem enfrentar uma superlotação dos hospitais municipais e estaduais caso a quarentena seja desrespeitada.

Para isso, eles estimaram uma ‘tarifa solidária’, ou seja, descontos nas diárias convencionais desses hotéis. A faixa de preço estudada é entre R$ 50 e R$ 70.

“A gente entende e se sensibiliza com o momento delicado que a sociedade e o Estado de São Paulo enfrentam. Por isso, nós estamos mapeando os hotéis no estado e município”, afirma Ricardo Roman, presidente da filial paulista da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis. “A ideia é contribuir com a promoção de uma quarentena mais efetiva e humana. A tarefa do Turismo é dimensionar a oferta dos hotéis, pra que as outras áreas possam fazer um uso mais adequado”, completa.

Ao todo, há mais de 190 mil quartos de hotéis em São Paulo, sendo mais de 40 mil aqui na capital. A Abrasel, associação de bares e restaurantes também ofereceu 10 mil refeições/dia a preços baixos para atender essas pessoas. O governo busca patrocinadores para custear essa operação.

Medo é obstáculo

O primeiro escalão do governo de São Paulo já conta com o receio da reação da população de cidades do interior para onde eventualmente os pacientes com coronavírus sejam enviados. Também há preocupação com a imagem dos hotéis que passarem a receber infectados. É justamente por isso que a equipe de saúde tem sido envolvida inclusive na adoção de um protocolo para fazer a limpeza dos locais antes e depois da utilização.

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