Hospital Federal de Bonsucesso ainda tem atendimentos parados 1 ano após incêndio

Polícia Federal não concluiu laudo da perícia; apesar de estrutura interna ter sido recuperada, falta de funcionários impede retomada dos serviços

Beatriz PuenteCamille CoutoPedro Duranda CNN

No Rio de Janeiro

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Um ano depois do incêndio que deixou 16 vítimas, o Hospital Federal de Bonsucesso, na zona norte do Rio de Janeiro, segue com o prédio 1 parcialmente fechado. O episódio expôs o descaso na saúde pública em meio à pandemia de Covid-19 no Brasil e chocou o país com as imagens dos profissionais de saúde resgatando pacientes em meio à fumaça.

A unidade é a maior de saúde do Rio de Janeiro em volume de atendimentos, e no início da pandemia chegou a ser anunciada como referência para a Covid-19.

Mesmo com a estrutura física praticamente toda reformada, a reabertura total só está prevista para março de 2022, com a finalização do novo Centro de Diagnóstico por Imagem e da estrutura externa para escape de incêndio. A parte elétrica do edifício e a recomposição da fundação, pilares e vigas de sustentação já foram finalizadas.

Falta de profissionais

Outro empecilho para que os atendimentos voltem a ser realizados é a falta de profissionais de saúde. Dos 376 leitos disponíveis no hospital, 279 estão fechados por falta de recursos humanos. Com a interdição do prédio, muitos profissionais de saúde que atuavam na unidade foram realocados para outros hospitais federais.

Em reunião no dia 9 de setembro entre o MPF, a Superintendência do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro e a direção do hospital, foi posto que muitos desses funcionários ainda não foram autorizados a voltar para a unidade de saúde até o momento.

O diretor-geral do hospital, Cláudio Pena, afirmou que perdeu aproximadamente 409 CTUs (Contratos Temporários da União) e que 300 servidores estatutários foram distribuídos em outras unidades, existindo assim, um prejuízo de aproximadamente 700 profissionais.

Contratações

A unidade também teve que interromper os atendimentos na emergência. Em nota, a Superintendência Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro informou que realiza um estudo sobre a real demanda de novas contratações de RH por unidade e que firmou, paralelamente, um contrato com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a contratação de 4 mil profissionais de saúde para compor o quadro.

Até hoje não se sabe ao certo o que causou o incêndio. O laudo da perícia elaborado pela Polícia Federal ainda não foi concluído. Segundo a instituição, o trabalho é complexo e envolve profissionais de outros estados.

Mas a tragédia foi anunciada. O Corpo de Bombeiros já apontava riscos de incêndio na unidade desde 2019, avaliando até a interdição do local.

Os extintores, apesar de dentro da validade, estariam “mal distribuídos” na unidade, o sistema de detecção de fumaça era “inoperante”, e o único que existia estava no térreo do prédio que pegou fogo.

A rede preventiva de incêndio era “inoperante”, e só existia em três dos prédios do hospital. O alarme, para alertar em caso de fogo, também só era encontrado em um prédio — sem funcionar.

Em nota, o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro afirmou que “vem fiscalizando continuamente a unidade de saúde, cumprindo rigorosamente o Código de Segurança contra Incêndio e Pânico (Coscip). O Hospital Geral de Bonsucesso já recebeu duas notificações e três autos de infração (multas)”.

“Atualmente, existe uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) sendo analisado pela Assessoria Jurídica do CBMERJ. O compromisso estabelece procedimentos e cronograma a serem adotados pelos responsáveis quanto ao projeto de segurança e a execução das medidas contra incêndio e pânico previstas em lei.”

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