Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    IBGE se une ao Data Favela e à Cufa para acelerar coleta de dados nas comunidades do país

    Heliópolis, em São Paulo, recebeu evento neste sábado (25) com presença da ministra Simone Tebet para promover a iniciativa

    Talita AmaralNicole Fuscoda CNNSalma Freuacolaboração para a CNN

    São Paulo

    Para acelerar a coleta de dados nas comunidades, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em parceria com o Instituto Data Favela e a Central Única das Favelas (Cufa), realizam a partir deste sábado (25) uma ação nas maiores favelas do país.

    O objetivo é abrir as portas para o trabalho dos recenseadores locais e reduzir o percentual de domicílios que não responderam ao Censo Demográfico em comunidades.

    A ação, chamada de “Favela no Mapa”, faz parte da fase final de apuração do Censo.

    A partir deste sábado (25), haverá um esforço concentrado por parte de recenseadores e supervisores do IBGE nas maiores favelas das 26 capitais e do Distrito Federal para percorrer as áreas que ficaram sem coleta dentro dessas comunidades.

    A primeira mobilização de coleta aconteceu neste sábado, a partir de 9h, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

    O presidente interino do IBGE, Cimar Azeredo, o fundador do Data Favela, Renato Meirelles, e o presidente da Cufa Brasil, Preto Zezé, participaram do lançamento da iniciativa em Heliópolis, localizada na capital paulista, que é uma das maiores favelas do Brasil.

    A ação inclui o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) e teve participação da comandante da pasta, Simone Tebet.

    Dificuldades nas entrevistas

    O presidente interino do IBGE disse à CNN que há cerca de 150 recenseadores em Heliópolis que vão trabalhar tanto sábado (25) quanto domingo (26). O IBGE não conseguiu atingir o mínimo de 95% de cobertura em diversas comunidades espalhadas pelo país, inclusive Heliópolis.

    Ainda de acordo com o presidente, se cada recenseador fizer pelo menos 14 entrevistas neste sábado, e 14 entrevistas no domingo, a cobertura será completa na comunidade.

    Já o fundador do Data Favela explicou à CNN que existe um receio por parte da comunidade de receber essas pessoas.

    Ele também lembrou que muitas moradores das comunidades trabalham o dia inteiro fora, precisam pegar transporte público e acabam demorando ainda mais para retornar a suas casas. Desta forma, os recenseadores do IBGE acabam não encontrando elas em casa.

    Meirelles acrescentou que deve haver uma ação por todas essas comunidades justamente para pegar esses trabalhadores no período da noite, quando eles já tiverem chegado em casa, para fornecerem as informações para o IBGE.

    Além de ausência e recusa, há outros problemas como omissão de domicílios (de fundos ou na laje) e dificuldades de acesso e circulação.

    Quase 7% das comunidades do Brasil não foram ouvidas pelo IBGE

    Há 11.403 favelas em todo o país. Segundo o IBGE, boa parte das moradoras e dos moradores de todas as favelas brasileiras já foi recenseada dentro do prazo regulamentar do Censo, que começou em agosto do ano passado e foi concluído em 28 de fevereiro deste ano.

    O instituto, no entanto, não conseguiu obter respostas nas favelas em cerca de 6,79% do território nacional. Já em relação a São Paulo, o número é maior: 12,7% das comunidades não deram essas respostas.

    O IBGE coletou dados de mais de 91% da população brasileira.

    Desde 1º de março, o instituto entrou na etapa de apuração dos dados. Essa revisão técnica, realizada por demógrafos do IBGE e por técnicos externos contratados justamente para isso, corre em paralelo a ações pontuais finais de coleta.

    A apuração será concluída no fim de abril e os dados preliminares do Censo serão anunciados pelo IBGE no dia 2 de maio.

    Além dessa ação final do Censo nas favelas brasileiras, o MPO também lidera uma cooperação com outros cinco ministérios do governo Lula para concluir o Censo na Terra Indígena Yanomami, em Roraima e no Amazonas.