Indígenas ocupam parque no RJ em manifestação por retomada de território

Grupo formado por 400 pessoas de quatro estados brasileiros chegou ao Parque Estadual do Cunhambebe na última quinta-feira (12)

Indígenas no Parque Estadual do Cunhambebe, em Mangaratiba (RJ)
Indígenas no Parque Estadual do Cunhambebe, em Mangaratiba (RJ) Divulgação/Ramon Vellasco

Beatriz PuenteCamille Coutoda CNN

no Rio de Janeiro

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Cerca de 400 indígenas de diversos estados brasileiros ocupam o Parque Estadual do Cunhambebe, em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio de Janeiro.

Os grupos que vieram de Minas Gerais, Espírito Santo, Pará e Bahia, em oito ônibus, foram escoltados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) até a área de preservação ambiental para protestar o direito à terra, à moradia digna e a cultura.

Em nota, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), informou que na madrugada de quinta-feira (12), o ônibus com os indígenas “invadiu a sede do Parque Estadual do Cunhambebe, quebraram vidros da guarita, arrombaram o portão”. Uma equipe do Parque está acompanhando a situação e informou a situação à Fundação Nacional do Índio (Funai).

O parque compreende uma área de 38 mil km², que tem o nome de um líder revolucionário para os indígenas: Cunhambebe. Em nota, o grupo afirmou que o objetivo de permanecer na área retomada é readquirir o que antes foi território indígena, para que então possam morar, trabalhar, cuidar da natureza e serem reconhecidos como povos de direito originário.

Um encontro entre os indígenas e representantes da Funai, coordenadores do parque e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) foi realizado na tarde desta sexta-feira (13). Para a representante da Funai, a coordenadora Rosângela Maria Nunes, o primeiro contato com o grupo foi para escutar as mais de 32 etnias que ocuparam o território.

“Viemos aqui para ouvi-los e acolher as demandas e necessidades do que eles entendem ser uma ocupação legítima. Há uma busca por um reconhecimento, uma visibilidade positiva para o grupo frente às várias dificuldades que eles vêm enfrentando, principalmente, relacionada à segurança de território”, destacou a representante da Funai.

Para Sérgio Ricardo Verde Potiguara, representante do Conselho Estadual dos Direitos Indígenas (Cedind-RJ), a retomada da região é um projeto importante para os indígenas.

“Eles estão aqui para iniciar um processo de cura do estado do Rio de Janeiro. Esse território foi um território de muito sofrimento, de muitos assassinatos. E toda essa região foi tomada pela especulação imobiliária, pela grilagem de terra e pela caça predatória. Eles deixaram claro: não deixarão essa terra por conta de uma decisão judicial. Só sairão da terra de Cunhambebe quando os encantados (indígenas com poder de cura e com alto grau de sabedoria) anunciarem o processo de cura” explicou Potiguara.

Para os próximos dias, as autoridades devem elaborar políticas públicas para atender às demandas desses povos.

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