Juíza autoriza professora de Santa Catarina a não se vacinar contra Covid-19

Vacinação é melhor estratégia de defesa contra vírus, mas magistrada citou que dados "demonstram que a doença pode ser vencida"

Há pessoas que recusaram o imunizante, movidos por notícias falsas, medo ou desconfiança, e depois se arrependeram
Há pessoas que recusaram o imunizante, movidos por notícias falsas, medo ou desconfiança, e depois se arrependeram Cristine Rochol/PMPA

Redação, O Estado de S.Paulo, do Estadão Conteúdo

Ouvir notícia

A juíza Cibelle Mendes Beltrame, da 2ª Vara Cível da Comarca do município de Gaspar, em Santa Catarina, deferiu liminar na última sexta-feira (17), suspendendo a exigência para que uma professora da cidade localizada a cerca 120 quilômetros de Florianópolis se vacine contra a Covid-19.

A professora solicitou mandado de segurança contra decreto municipal que tornou obrigatória a vacinação contra o coronavírus para todos os trabalhadores da educação, sendo passível aplicação de sanções em caso de recusa injustificada.

À Justiça, a professora alegou que por conta do decreto poderia ser demitida. Ao analisar o caso, a magistrada entendeu que a professora apresentou “justa causa” para a recusa da vacinação visto que apresentou “exame laboratorial que comprova que adquiriu imunidade contra o coronavírus”.

No despacho, a magistrada citou decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que entendeu que estados e municípios podem decidir sobre a obrigatoriedade da imunização e até mesmo impor restrições para quem se recusar a ser vacinado.

No entanto, o entendimento da magistrada foi o de que a obrigatoriedade da vacinação não pode ser exigida “visto que tratam-se de vacinas ainda em fases de estudos e que necessitam de aprimoramento e de estudos de segurança amplamente comprovados e divulgados à população antes de se tornar de uso obrigatório”.

“Pergunta-se, quem se vacina contra a polio, corre o risco de pegar a poliomielite? E quem se vacina contra o sarampo, corre o risco de pegar sarampo? Evidentemente que não. Então por que pessoas que se vacinam contra a Covid-19 continuam correndo riscos de pegarem a doença e transmiti-la? Porque ainda não são vacinas totalmente prontas para combater a doença, nesse sentido, ainda estão em estudo”, registra trecho da sentença.

A juíza ainda chegou a invocar o número de “recuperados” da Covid-19 para dizer que os dados “demonstram que a doença pode ser vencida”.

Vacinação é melhor arma contra Covid-19

Apesar das considerações da juíza, a vacinação é a melhor arma contra as formas graves da Covid-19, que fez mais de quase 600 mil vítimas no país em um ano e meio.

Há pessoas que recusaram o imunizante, movidos por notícias falsas, medo ou desconfiança, e depois se arrependeram.

Como mostrou o Estadão, todas as vacinas em desenvolvimento ou aprovadas contra a Covid-19 passam por uma série de etapas antes de serem autorizadas para uso humano, incluindo testes em laboratório e ao menos três fases de testes clínicos.

Imunizantes aprovados pela OMS e Anvisa

A configuração desses testes e seus resultados são compilados e disponibilizados publicamente pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além do processo internacional público de desenvolvimento de vacinas, os imunizantes ainda passam pelo crivo dos órgãos de vigilância sanitária — a Anvisa, no Brasil.

O órgão segue uma série de critérios para garantir que os imunizantes aplicados em território nacional sejam seguros e eficazes.

Segundo a agência, as diversas fases de testes servem para avaliar, gradualmente, se a vacina é segura, se ela provoca reações no corpo humano, qual a dose indicada e qual a capacidade dela de gerar anticorpos, além de comprovar se ela é, realmente, capaz de proteger as pessoas do vírus.

Mais Recentes da CNN