Justiça proíbe construção de unidade para armazenar rejeito das usinas de Angra
Promotor do Ministério Público Federa alega que licenciamento ambiental é inadequado, pois não foi feito estudo de impacto ambiental
A Eletronuclear está impedida de executar a transferência de lixo atômico das usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2, em Angra dos Reis (RJ), para um novo depósito dentro do complexo das usinas nucleares.
A suspensão da transferência do lixo radioativo foi determinada pela Justiça Federal a pedido do Ministério Público Federal.
Atualmente, o urânio enriquecido de alta radiação fica armazenado em duas piscinas de rejeitos situadas ao lado do reator, uma área considerada mais reforçada da estrutura. No entanto, essas piscinas chegarão ao limite da capacidade em 2021. Elas armazenam o material desde a inauguração das usinas, em 1972 e 2001.
A proposta é isolar esse material em 75 cilindros metálicos, protegidos por camadas de concreto e aço, e armazená-los em uma área externa das usinas, mas ainda dentro do complexo nuclear de Angra dos Reis, em área aberta.
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A ação foi movida pelo procurador Igor Miranda. Ele afirma que o licenciamento ambiental é inadequado, pois "não foi feito sequer um estudo de impacto ambiental, não houve audiências públicas, não houve contrapartidas sociais, absolutamente nada”.
“É uma obra de alto risco ambiental, uma estrutura dessas não deveria sequer ficar perto da usina, porque um acidente nela pode ser potencializado pela presença da usina, e o contrário também é verdade. Se acontecer algo errado ali, é Chernobyl ou Fukushima", argumentou Miranda.
Mestre em Engenharia Nuclear, Luiz Pinguelli Rosa critica a ideia de deixar o material exposto, em área aberta.
"O descarte desse produto é um problema mundial, e não há consenso sobre isso. Eu penso que o ideal seria construir uma nova estrutura, muito protegida e reforçada, como a área do reator da usina. Com a fissão, ainda há urânio, mas há várias outras substâncias, muitos fragmentos radioativos extremamente perigosos", explicou.