Leitos abertos para Covid-19 no Rio são de outras especialidades, diz comissão

Medida da rede municipal pode afetar tratamento de pacientes com outras doenças; comissão da Câmara Municipal denuncia que são mais de 300 leitos redirecionados

Leitos de UTI no Hospital Ronaldo Gazzola, na zona norte do Rio de Janeiro, durante pandemia da Covid-19
Leitos de UTI no Hospital Ronaldo Gazzola, na zona norte do Rio de Janeiro, durante pandemia da Covid-19 Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo (10.mar.2021)

Stéfano Salles e Thayana Araujo, da CNN, no Rio de Janeiro

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A Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal do Rio denunciou que os mais de 300 leitos para Covid-19 anunciados pela prefeitura desde janeiro para o enfrentamento à pandemia não são novos.

Segundo o vereador Paulo Pinheiro (PSOL), presidente do colegiado, o município apenas tem redirecionado a oferta anteriormente disponível para as diferentes especialidades atendidas pela rede da capital do estado. 

A CNN obteve um vídeo do Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, na zona sul do Rio. Nele, é possível ver que antigas enfermarias de cardiologia foram transformadas em setor de atendimento de Covid-19.

Os pacientes originais da ala foram deslocados para a clínica médica, que teve leitos reduzidos para atender os recém chegados. 

Para Pinheiro, isso é um problema, porque cria dificuldades para os pacientes que regularmente buscam atendimento para outros problemas de saúde.

Segundo o parlamentar, a solução é reabrir os leitos federais dos seis hospitais e três institutos do Ministério da Saúde na cidade e destiná-los para Covid-19. 

Segundo levantamento feito pela comissão temática, são 1.392 leitos nesta situação. 

UTI Covid-19
Estrutura de hospitais com leitos de UTI e enfermaria para o tratamento da Covid-19
Foto: CNN Brasil

 “Temos que entender que outros pacientes também precisam dessa rede pública. Não podemos aceitar que o Rio sacrifique seus hospitais de emergência como está sacrificando. Abrindo leitos para Covid-19 e fechando leitos para o atendimento normal de ortopedia, clínica médica. Nós temos 1.392 leitos federais que poderiam ser abertos para Covid-19. A solução é que reabram esses leitos”, afirma o vereador.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a rede federal demorou a entrar no enfrentamento à Covid-19 não apenas pela falta de pessoal, mas pelo entendimento de que é destinada à alta complexidade. 

O Ministério da Saúde se comprometeu em concluir em até duas semanas a abertura de 271 leitos, 104 de terapia intensiva e 167 de enfermaria. Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde não se manifestou até a publicação desta reportagem. 

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