Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Mais de 100 botos são encontrados mortos em meio a seca no Amazonas

    Principal hipótese das mortes é relacionada à alta temperatura da água, já em baixos níveis

    Boto morto
    Boto morto Miguel Monteiro / Instituto Mamirauá

    João Victor Azevedoda CNN

    Mais de cem botos vermelhos e tucuxis apareceram mortos no lago Tefé, no Amazonas, e nas proximidades do último sábado (23) até esta sexta-feira (29). Principal hipótese é de que causa esteja relacionada à seca e alta temperatura da água.

    A situação tende a se agravar já que estamos no início do período seco e a todo momento chegam mais notícias de animais mortos, afirmaram o WWF-Brasil e o Instituto Mamirauá.

    A situação afeta também os pescadores e outras pessoas que sobrevivem da dinâmica das águas na região, rios e lagos.

    Grupos de pesquisa tentam resgar animais que estão em poças rasas e de águas quentes para transferi-los para outros locais que ainda mantêm água fresca e profundidade mínima para manter os animais vivos.

    Equipes e voluntários com experiência em resgate de fauna estão se unindo à ação emergencial, porém o difícil acesso à cidade de Tefé faz com que a ação seja mais lenta que o desejado.

    “O translado dos botos vivos para outros rios não é seguro, pois, além da qualidade da água, é preciso verificar se há alguma toxina ou vírus. Estamos mobilizando parceiros para coleta e análise e outras instituições que possuem expertise em resgate de animais”, ressalta André Coelho, do Instituto Mamirauá.

    O tradicional período de estiagem, que tem seu ápice em outubro, já está afetando 59 municípios com a redução do nível de água dos rios, impactando a navegabilidade e, consequentemente, questões de logística e insegurança para a coleta e consumo de peixes.

    É esperado que a situação se agrave nos próximos 15 dias com a forte seca acometendo outras regiões do médio Solimões, resultando em mais mortes de botos e tucuxis em zonas sem equipes disponíveis para resgate.

    Isso faz com que o evento tome proporções ainda maiores e mais impactantes em um dos locais de maior densidade e abundância de golfinhos de rio da América do Sul.

    Os riscos relacionados com a falta de água tendem a se agravar com as mudanças climáticas, é o que diz o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

    O grupo de cientistas mapeou as tendências de mudanças e descobriu que as alterações climáticas causadas pela ação humana contribuíram para a gravidade do impacto das secas em muitas regiões do planeta. Estima-se que os riscos relacionados com a água aumentem com cada grau de aquecimento global.

    Segundo o IPCC, entre 1970 e 2019, 7% de todos os desastres em nível mundial estiveram relacionados com secas, contribuindo com 34% das mortes relacionadas com catástrofes.

    Em apenas três décadas, o Brasil já perdeu o equivalente a dez cidades de São Paulo em superfície de água. Na última década, os nove países com floresta amazônica em seu território perderam 1 milhão de hectares de superfície de água, o equivalente a seis cidades de São Paulo em área hídrica, segundo o Mapbiomas.