Mais de 640 mil alunos são obrigados a voltar presencialmente às aulas no Rio

A partir desta quarta-feira (03), somente os alunos com comorbidade que apresentarem laudo médico poderão seguir no ensino remoto

Mylena Guedes e Camille Couto, da CNN, no Rio de Janeiro
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A partir desta quarta-feira (03), os 644 mil alunos da rede municipal do Rio de Janeiro devem voltar, obrigatoriamente, às aulas presenciais nas unidades de ensino.

Até então, os estudantes ainda podiam optar pelo ensino remoto, apesar das aulas 100% presenciais, sem rodízio, terem sido retomadas na capital no dia 18 de outubro.

Agora, somente os alunos com algum tipo de comorbidade poderão seguir de forma online, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação. Para isso, a família precisa apresentar um laudo médico na escola.

Segundo o secretário de Educação, Renan Ferreirinha, cerca de 4% do total de estudantes ainda não havia voltado presencialmente às unidades, nem mesmo entregado as atividades online. Ele ressalta que a volta obrigatória nas 1.543 escolas só está sendo possível pelo avanço da vacinação contra a Covid-19.

“Há 25 mil alunos que não entregaram atividades remotas nesse último bimestre nem retornaram de forma presencial. Nós não vamos ficar de braços cruzados e achar que isso é normal. É muito importante que a gente garanta que todos os nossos alunos tenham acesso à educação e, para isso, a volta da obrigatoriedade das aulas presenciais é um importante passo nessa direção. Lugar de criança é na escola”, afirmou Ferreirinha.

À CNN, a diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas, Claudia Costin, acredita que a decisão da retomada obrigatória é certa. Ela destaca que muitas crianças não evoluíram na aprendizagem durante mais de um ano no período remoto.

“Os alunos que estavam aprendendo à distância dentro das limitações que podemos ter, da falta de conectividade e envio de cadernos, evidentemente não estão se beneficiando plenamente de tudo que uma escola oferece, como o relacionamento humano com os professores e colegas. Vale lembrar que a entrada na escola para muitas crianças com famílias menores, é a introdução na sociedade maior", disse.

"Além disso, há um outro problema sério, que é a questão de crianças que não participaram das atividades remotas porque não tinham os pais em casa, já que eles estavam buscando alguma fonte de renda. Nesse caso, as crianças acabaram não aprendendo nada ou muito pouco nessa situação”, acrescentou Costin.

A retomada completa às aulas presenciais na rede do município teve início no dia 18 de outubro, com cerca de 300 mil estudantes da pré-escola e dos 1°, 2°, 5° e 9° anos do ensino fundamental. Já a segunda etapa, implementada uma semana depois, incluiu os outros 344 mil alunos dos 3°, 4°, 6°, 7° e 8° anos do ensino fundamental, além das creches e o programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Rede estadual

A obrigatoriedade do ensino presencial já é realidade na rede estadual. O retorno teve início na semana passada, na segunda-feira (25). A decisão pelo fim do ensino híbrido foi tomada porque a maior parte dos profissionais da educação estava com o esquema vacinal completo.

Segundo dados da Secretaria Estadual de Educação, mais de 85% dos funcionários dos colégios da rede receberam a segunda dose da vacina ou a Janssen, administrada em dose única.

Outros estados, como São Paulo, também decidiram pela volta obrigatória. A diferença é que, no estado paulista, o retorno pleno, ou seja, sem rodízio dos alunos, começa a valer nesta quarta-feira (03).

Reajustes nas escolas particulares

As escolas particulares devem esperar para reajustar as mensalidades, já que o cenário financeiro é delicado, principalmente por conta da inflação nacional, que está em 6,9% no acumulado do ano.

À CNN, o vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Infantil (ASBREI), Frederico Venturini, afirma que não há uma média de reajuste acordada entre as instituições de ensino.

Segundo ele, em nível nacional, outros aspectos devem ser levados em conta, já que nem todos os estados retornaram 100% de forma presencial.

“No Rio, reajustes das mensalidades escolares estão ocorrendo de acordo com o cenário social e financeiro referente à região de cada instituição. Por exemplo, algumas das escolas de maior porte reajustaram em cerca de 10%, de acordo com o índice de inflação acumulada neste último ano, e indicadores como INPC e IGPM, os quais estão apresentando taxas elevadas", afirmou.

"Entretanto, é importante destacar que a maior parte das escolas não está conseguindo reajustar as mensalidades de acordo os índices inflacionários, principalmente em função da situação econômica atual das famílias. Há escolas particulares localizadas em regiões menos favorecidas economicamente, que vão reajustar a mensalidade em torno de 5 e 6%”, explicou Venturini.