Medidas restritivas no Rio de Janeiro têm caráter preventivo, diz Paes

Prefeito diz que iniciativas foram tomadas para que evitar que 'decisões duras de verdade, radicais de verdade' precisem ser adotadas no futuro

Eduardo Paes (E) e o secretário de saúde do Rio, Daniel Soraz (D), em reunião sobre a pandemia de Covid-19
Eduardo Paes (E) e o secretário de saúde do Rio, Daniel Soraz (D), em reunião sobre a pandemia de Covid-19 Foto: Ricardo Cassiano - 5.fev.2021/Prefeitura do Rio

Isabelle Saleme, Stefano Salles e Pauline Almeida, da CNN, no Rio de Janeiro

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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), afirmou que as medidas restritivas publicadas nesta quinta-feira (4) são preventivas, ou seja, tem o objetivo de evitar que o cenário da pandemia piore na cidade. 

Segundo o chefe do Executivo municipal fluminense, os dados de casos confirmados e de óbitos na capital estão em queda. A única tendência de aumento foi de atendimento de pessoas com sintomas da Covid-19 nas unidades de urgência e emergência. 

Ainda de acordo com dados, em 2020, a taxa de letalidade do coronavírus era de 9,3%. Número que caiu para 7% até agora em 2021. Também houve queda na mortalidade: de 266,3 por 100 mil habitantes no ano passado para 18,8 por 100 mil habitantes, agora. 

“Todas as medidas que anunciamos hoje têm um objetivo principal é evitar que se repita, em 2021, o genocídio de 2020 que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro. Nós tivemos uma taxa de mortalidade, de letalidade, seja a taxa que for, inclusive números absolutos, vamos comparar com São Paulo, que é a maior cidade do Brasil, que é o dobro da cidade de São Paulo. Nós temos metade dos habitantes de São Paulo. Em 2020, morreram mais pessoas na cidade do Rio de Janeiro do que numa cidade que tem o dobro da população”, disse o prefeito.

Além do aumento do atendimento na atenção básica de pessoas com sintomas da doença, Paes disse que levou em consideração a piora da situação da Covid-19 em outros estados do país e o parecer da Fundação Oswaldo Cruz sobre a pandemia para tomar a decisão de endurecer as medidas. 

Ele também disse que se preocupa com o fato de a população não estar colaborando com as regras impostas até agora. Para que o carioca respeite as regras, a multa em caso de descumprimento aumentou de pouco mais de R$ 112 para R$ 562,42. 

“As restrições que alguns consideram duras hoje, muito radicais, estão sendo tomadas para que decisões duras de verdade, radicais de verdade, não sejam tomadas”, explicou o prefeito.

Alto risco de contágio em Copacabana

O nono boletim epidemiológico, também divulgado nesta quinta-feira (4), mostrou que apenas Copacabana, na zona sul, permanece em alto risco de contágio pela doença. As outras 32 áreas da cidade têm índice moderado.

Apesar disso, a cidade permanece com as restrições adotadas para a bandeira laranja, de alto risco. Um dos motivos para a classificação é o aumento de casos das novas variantes. 

Vinte e cinco foram confirmados no estado do Rio e pode chegar a 12 o número de casos na capital – sete já foram confirmados e cinco estão em investigação para determinar se as pessoas eram, realmente, moradoras da cidade.

Novas restrições

Como a CNN havia antecipado na quarta-feira (3), um decreto municipal proibiu a permanência das pessoas nas ruas do Rio entre às 23h e 5h. A circulação, no entanto, está liberada. 

Bares, restaurantes e demais estabelecimentos do tipo só poderão funcionar para atendimento presencial das 6h às 17h e com limitação a 40% da capacidade instalada. O delivery fora desse horário está liberado.

Shoppings centers, centros comerciais e cinemas estão autorizados a funcionar até as 20h, também com até 40% da capacidade. Já as atividades comerciais e de prestação de serviços na orla, incluindo ambulantes e quiosques, estão proibidas.

O mesmo vale para eventos, festas, rodas de samba, boates e casas de espetáculo. Somente feiras com foco em alimentos estão liberadas no período de duração do decreto, até 11 de março.

As restrições não se aplicam aos serviços assistenciais de saúde e de assistência veterinária, bem como a farmácias, postos de combustíveis, serviços de transporte de passageiros, de entrega em domicílio, à cadeia de abastecimento e logística, e aos serviços prestados por trabalhadores de atividades que não admitam paralisação. 

Neste período, a fiscalização das medidas previstas ficará por conta da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), da Guarda Municipal e da Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Instituto Municipal de Vigilância Sanitária, da Vigilância de Zoonoses e da Inspeção Agropecuária. 

Durante a coletiva, no entanto, o governo fluminense não detalhou como funcionará a fiscalização. Uma reunião com as forças de segurança está marcada para esta quinta-feira.

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