Megaoperação no RJ: Fotógrafo relata retirada dos corpos em comunidade
Bruno Itan documentou a busca por corpos, maioria na Serra da Misericórdia, área que liga o Complexo do Alemão ao Complexo da Penha, onde confrontos ainda acontecem
Na Praça São Lucas, no Complexo da Penha, Rio de Janeiro, dezenas de corpos foram alinhados em uma lona na manhã desta quarta-feira (29). Fotógrafo Bruno Itan, no CNN Novo Dia, relata buscas de moradores da região na Serra da Misericórdia, área de mata que conecta o Complexo do Alemão ao Complexo da Penha, para localizar e resgatar os corpos.
Itan, que documentou a situação: "Nunca vi nada igual ao que está acontecendo aqui hoje, acabaram de chegar 57 corpos, que estão aqui, atrás de mim". O fotógrafo explica que as buscas são de familiares dos mortos, que buscam identificá-los, já que "há corpos que ficaram completamente desconfigurados".
Operação ainda em andamento
Mesmo após a megaoperação, a região continua tensa, com relatos de tiros nas proximidades. "A gente sabe que tem agentes dentro da comunidade, só não sabemos onde eles estão", diz o fotógrafo, que destaca que o confronto ocorre especialmente na área de mata entre os dois complexos.
A Defesa Civil chegou ao local com seis veículos do Instituto Médico Legal (IML) para realizar a remoção dos corpos. No entanto, de acordo com Itan, a quantidade de veículos pode ser insuficiente, já que novos corpos continuam sendo encontrados e trazidos à praça.
O fotógrafo, que já documentou outras operações policiais, incluindo a do Jacarezinho que resultou em 29 mortes, destaca que nunca presenciou uma situação similar. "Os moradores aqui estão vivendo um dia de luto como eu nunca vi".


