Mercados monitoram conversas entre Rússia e Ucrânia; Petrobras é destaque no Brasil

Os dois países começaram conversas de paz na Turquia ontem; no Brasil, a troca de comando na Petrobras é destaque

Priscila Yazbekda CNN

Em São Paulo

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Os mercados globais operam na manhã desta terça-feira (29) de olho nas conversas entre Rússia e Ucrânia. No Brasil, a troca de comando na Petrobras é destaque.

Começando pelo exterior, os futuros americanos sobem com a expectativa de avanço diplomático entre russos e ucranianos. Os dois países começaram conversas de paz na Turquia ontem. Negociadores ucranianos e russos se reuniram na Turquia hoje para as primeiras conversas cara a cara em quase três semanas.

As primeiras notícias mostram que as recepções foram frias e não houve aperto de mãos, mas as conversas são vistas como um passo importante para um cessar-fogo.

O lockdown na China, que aponta para demanda mais fraca de um dos maiores compradores de matérias-primas do mundo, também ajuda a derrubar os preços das matérias-primas.

O petróleo chegou a ensaiar recuperação mais cedo, mas virou para forte queda e cai quase 5%, para baixo de US$ 105. A correção nas commodities ajuda as ações de tecnologia e impulsiona as bolsas. Na Europa, os índices chegam a subir mais de 3%.

Na Ásia, os índices fecharam mistos. Com Hong Kong e Tóquio subindo, mas Xangai caindo depois do anúncio de lockdown.

Brasil

No Brasil, o grande destaque é a indicação de Adriano Pires para a presidência da Petrobras no lugar de Joaquim Silva e Luna. O Ministério de Minas e Energia também confirmou a indicação de Rodolfo Landim para a presidência do conselho da empresa.

Ainda que a troca no comando seja vista por analistas como uma interferência política na empresa, a leitura feita pela maioria é que pires é um nome respeitado no mercado e um defensor da política de preços da Petrobras.

As ações da Petrobras caíram ontem 2%, em linha com a queda do petróleo. Hoje, na pré-abertura em Nova York, os ADRs chegaram a subir. A reação dos investidores também não foi mais negativa porque a mudança na presidência já era esperada e havia o temor de que fosse indicado um nome mais político e menos técnico.

Flávio Conde, analista da Levante, também diz que com a queda do dólar a R$ 4,80 e o petróleo abaixo dos US$ 110, fica mais fácil a tarefa de manter a política de preços do que se o dólar estivesse nos R$ 5,70 e o petróleo nos US$ 130, pico que chegou a bater do dia 7 de março.

Segundo Nicolas Borsoi, da Nova Futura, a indicação de pires deve reduzir os prêmios de risco da estatal, o que pode ajudar o Ibovespa a ter dia positivo, apesar da queda das commodities. Mas a curva de juros pode subir, pela piora na percepção fiscal, já que pires defende subsídio aos combustíveis.

Na política, servidores do Banco Central (BC) aprovaram greve por tempo indeterminado a partir de primeiro de abril.

Índices

O Ibovespa futuro tinha forte alta de 1,38% nesta manhã, aos 120.924 pontos. O dólar caía 0,72%, cotado aos R$ 4,73. O S&P futuro sobia 0,87%.

A FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgou a sondagem da indústria de março. A confiança caiu pelo oitavo mês seguido, indo ao menor nível desde julho de 2020.

Destaque da agenda é divulgação de dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Foram criadas 328 mil vagas de emprego em fevereiro, acima da expectativa do mercado, de 210 mil vagas.

Os balanços seguem com Cemig, Copasa, Bradespar e Rede D’or.

Destaque psra agenda dos Estados Unidos, às 10h, tem discurso de John Williams, do Fed – banco central americano – de San Francisco.

Às 11h tem dados de confiança do consumidor de março. Ao meio-dia ofertas de emprego (JOLTS) de fevereiro; e às 17h30 estoque de petróleo.

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