Mercados monitoram lockdown em Xangai e efeito de alta dos juros americanos

Para analistas, com esperança de avanço diplomático no Leste Europeu, foco do mercado passa a ser alta dos juros nos EUA; na China, confinamento é visto como um dos mais restritivos desde início da pandemia

Priscila Yazbekda CNN

Em São Paulo

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Os mercados globais operam na manhã desta segunda-feira (28) atentos à guerra na Ucrânia, na alta dos juros americanos e no lockdown em Xangai.

Começando pelo exterior, os futuros americanos abrem em leve alta após o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, dizer que está disposto a discutir a neutralidade da Ucrânia.

A partir de hoje está prevista uma nova rodada de negociações de paz entre Rússia e Ucrânia na Turquia.

Com a esperança de algum avanço diplomático, analistas avaliam que com a esperança de algum avanço diplomático, o foco do mercado passa da situação geopolítica para a alta dos juros nos Estados Unidos.

Os rendimentos de títulos americanos continuam subindo e chegaram a passar dos 2,5%, após membros do banco central americano sinalizarem que podem apoiar aumento de meio ponto dos juros em maio. Um passo que o banco central nunca deu no último ciclo de aperto.

Como resume o estrategista-chefe da gestora RBC à Reuters, a inflação americana parece não ter atingido ainda o seu pico, por isso o mercado ainda não viu também o pico do Fed – banco central americano.

A perspectiva de aumento de juros nos Estados Unidos também traz previsão de um dólar mais forte e euro mais fraco. E isso ajuda a pressionar perspectivas de inflação na Europa.

Pela manhã, as bolsas europeias subiam puxadas por ações de bancos, que se beneficiam por aumento de juros. Índices também sobrem refletindo otimismo sobre a situação na Ucrânia, e se aproximam dos níveis pré-guerra.

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em queda depois do anúncio de lockdown em Xangai. O confinamento vai ser feito em duas etapas e é considerado um dos mais restritivos lockdown imposto na China desde o início da pandemia.

Com a previsão de queda na demanda chinesa, os preços do petróleo têm forte queda de mais de 5%, para cerca de caíram mais de US$ 5 por barril, para cerca de US$ 111 dólares.

Brasil

No Brasil, a bolsa pode ter dia de correção com a queda do petróleo lá fora e de outras commodities. As matérias-primas vêm oscilando bastante, subindo quando as perspectivas da guerra pioram e caindo quando melhoram, já que a guerra traz previsão de mais gargalos na oferta de commodities.

Já o dólar fechou em R$ 4,74 na sexta, mínima desde o início da pandemia na sexta (25), mas hoje sobe no mundo em meio ao aumento dos rendimentos dos títulos americanos. Com aumento dos rendimentos, investidores migram recursos para os Estados Unidos e fortalecem a moeda.

Também em destaque por aqui, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reforçou ontem que o ciclo de alta dos juros deve terminar em maio, com a Selic – a taxa básica de juros – chegando a 12,75% ao ano. Mas, mais uma vez, Campos Neto disse que os juros podem subir mais a depender da escalada da guerra.

Índices

O Ibovespa futuro sobia 0,27% nesta manhã, aos 120.166. Já o dólar tinha alta de 0,37%, cotado a R$ 4,76. Nos EUA, o S&P futuro tinha leve alta de 0,04%.

Agenda do Dia

A divulgação do Boletim Focus vai atrasar mais de novo e deve sair às 10h em vez de 8h25 devido à operação-padrão dos servidores do Banco Central. Os dados de investimento direto no país, referentes ao mês de fevereiro, eram esperados para esta manhã, mas não serão divulgados nesta semana, conforme anunciou a instituição.

Às 14h30 tem arrecadação federal de fevereiro. Os balanços se encaminham para reta final, com resultados de HBR, Mosaico, Dasa e Ânima, que registrou prejuízo de R$ 152 milhões no quarto trimestre.

Nos Estados Unidos, destaque para balança comercial de bens e estoques do varejo.

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