“Meu avô me levou para ser exorcizado quando saí do armário”, conta drag queen

À CNN Rádio, Ikaro Kadoshi explicou a importância do acolhimento para pessoas LGBTQI+ quando elas assumem sua sexualidade

Ikaro Kadoshi, drag queen
Ikaro Kadoshi, drag queen Reprodução/Instagram

Amanda GarciaLetícia BritoLetícia Vidicada CNN

em São Paulo

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A experiência de uma pessoa LGBTQI+ no processo de assumir a sua sexualidade depende de um fator importante: o acolhimento de quem está ao seu redor.

Em entrevista à CNN Rádio, Ikaro Kadoshi, apresentador e drag queen, deu um relato importante de sua experiência na década de 80, quando a homossexualidade ainda era tida como doença no Brasil.

“Na minha saída do armário, coloquei minhas roupas numa trouxa e falei para a família. Minha mãe foi incrível, deu a base de acolhimento, mas a famílias do entorno foi o oposto”, disse.

Ikaro contou que a reação do avô foi especialmente impactante: “Meu avô me levou para um exorcismo, porque dizia que eu estava com o demônio da luxúria no corpo, a sessões de hipnose, prostíbulos para que eu virasse homem ‘na marra’”.

“A família falou que eu tinha sujado o sangue da linhagem, que eu não merecia andar na mesma calçada. Somente hoje a psicologia e sociologia estão pesquisando o impacto que isso teve na geração que tem 35/40 anos”, lembrou.

Ikaro reforça que é importante falar sobre pessoas que acolhem, entendem e dão apoio: “As pessoas LGBTQIA+ têm uma realidade em que nós somos famílias por escolha, não por sangue, temos 20 casas de acolhimento, conheço algumas, mas falta vontade de todos em querer ajudar e fazer algo para mudar este quadro.”

Essas casas, segundo a drag queen, “não só acolhem, mas tentam fazer essa transformação da vida das pessoas, independentemente da idade que estejam.”

“É uma luta hercúlea, mas muitos projetos estão surgindo, empresas estão se especializando, fico feliz de ver que estamos vivendo um momento que essas consciências estão chegando aonde deveriam”, completou.

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