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    MG: Confusão entre delegada e policiais termina após 30 horas de negociação

    Segundo a defesa, ela foi atendida por equipe médica e segue internada

    Carolina Figueiredoda CNN

    A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Monah Zein deixou seu apartamento, na região da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), após mais de 30 horas de negociação com agentes. Ela abriu a porta por volta das 17h desta quarta-feira (22) e permitiu a entrada da equipe.

    Os policiais chegaram ao imóvel às 9h de terça-feira (21), após ela enviar mensagens com teor de risco à própria saúde em um grupo de amigos e colegas de trabalho.

    Ela foi atendida por uma equipe médica e recebeu sedativos. Segundo a defesa, Zein segue internada e seu estado de saúde é estável.

    De acordo com publicações feitas pela delegada nas redes sociais, a Polícia Civil a teria humilhado e por isso ela não voltaria a trabalhar. A defesa dela afirmou que, apesar da polícia a tratar como uma potencial suicida, ela estaria apenas querendo ficar em sua casa, sem correr nenhum risco.

    “Ela não queria ficar trancada, só queria que os policiais se retirassem. E infelizmente foi uma atuação [da polícia] com muito excesso. Então hoje o meu intuito é justamente buscar resposta pra isso. O porquê do excesso, o porquê eles não deixavam a gente se aproximar da porta, não deixavam a gente subir… Foi montado um aparato de guerra, tinha cerca de 20 policiais lá, e em momento algum ela ameaçou ninguém, em momento algum ela falou que iria se matar”, afirma a advogada Jucélia Braz.

    Ainda conforme a defesa, a delegada resolveu se entregar por conta da situação à que sua família estava sendo exposta. “Graças a Deus teve um bom desfecho, e o nosso intuito agora é buscar resposta justamente do motivo disso, do porquê isso aconteceu”, completou.

    A defesa analisa entrar com uma ação contra a Polícia Civil de Minas.

    O que diz a polícia

    Em pronunciamento após o fim das negociações, o delegado Saulo Castro, porta-voz da Polícia Civil de Minas Gerais, afirmou que a ocorrência foi exitosa e que desde o começo o objetivo era preservar a vida da delegada e dos policiais que atendiam a ocorrência.

    “Não há uma situação de violência, há uma preservação por parte dos agentes de segurança que seguem protocolos de ação. Pelos próprios vídeos que os senhores assistiram, a colega estava com duas armas de fogo, bastante exaltada, e a gente não pode chegar numa situação dessa sem também pensar na segurança própria dos policiais”, afirmou sobre a acusação, por parte da defesa, de que houve excesso policial na ação.

    Segundo o delegado, a PCMG vai “lidar de forma transparente, seguindo a legalidade, respeitando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa” com as acusações de assédio feitas por Zein.

    O delegado afirmou ainda que a servidores responde a alguns procedimentos na Corregedoria da corporação, e que houve sim mandado de busca e apreensão expedido contra ela.

    Entenda o caso

    Ao longo da terça-feira (21), Monah Zein fez diversas transmissões ao vivo em suas redes sociais com a arma em punho mostrando trechos de sua negociação. Policias civis foram até sua casa após mensagens que ela enviou em grupos. Ela alegava que eles não tinham mandado e nem motivo para estar lá.

    De acordo com sua defesa, o estado de saúde delicado que a servidora se encontra é devido a perseguições e retaliações no âmbito da Polícia Civil, “instituição que vem adoecendo seus servidores sem prestar qualquer tipo de assistência”.