Militares acusados de matar músico e catador de latinha são julgados no Rio

Vítimas foram mortas em 2019, quando tropas do Exército ocupavam a cidade do Rio de Janeiro. Laudo pericial indicou mais de 200 tiros disparados durante a ação

Iuri Corsini e Beatriz Puenteda CNN

no Rio de Janeiro

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A Justiça Militar do Rio de Janeiro começou a julgar nesta quarta-feira (13) os 12 militares do Exército acusados de matar, com mais de 200 tiros disparados, o músico Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos e o catador de latinhas Luciano Macedo. O crime aconteceu em 8 de abril de 2019, em Guadalupe, Zona Norte do Rio.

De acordo com as investigações da Divisão de Homicídios, o laudo pericial indicou que ao menos 257 tiros foram disparados contra o carro conduzido pelo músico. O catador de latinhas, que passava próximo ao local, tentou ajudar Evaldo e a família e foi atingido. Os dois morreram na hora.

O Ministério Público Militar, em fevereiro deste ano, afirmou em alegações finais, que houve dificuldade para comprovar quantos disparos foram feitos da arma de cada um dos militares envolvidos no crime. O laudo pericial indicou à época, que Evaldo morreu com oito tiros nas costas.

Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, o músico, a esposa Luciana Nogueira, o filho de 7 anos, o sogro e uma amiga, seguiam de carro para um chá de bebê. No percurso, o veículo foi alvejado por tiros de fuzil e de pistola. Em depoimento, testemunhas disseram à polícia que militares do Exército, baseados no local, atiraram. Na delegacia, os militares informaram terem confundido Evaldo com um assaltante.

O Ministério Público Militar (MPM) pede a condenação de oito dos 12 militares do Exército que fizeram os disparos contra o carro da família do músico e provocaram a morte dele e do catador. “Mataram, com 82 disparos (!!!), um músico que estava desfalecido dentro de seu carro e cuja esposa e filho de 7 anos tinham acabado de sair correndo para pedir ajuda, feriram um idoso e feriram mortalmente um catador de recicláveis que apenas se aproximou do veículo para prestar ajuda atendendo aos gritos de socorro da esposa de um homem inconsciente”, diz trecho da manifestação do MPM-RJ.

A defesa dos militares do Exército pede a absolvição de todos os envolvidos com a alegação de que o grupo agiu “no estrito cumprimento das Leis, em atos de Legítima Defesa e regras de engajamento”.

O julgamento ocorre na primeira instância, quando um juiz profere a sentença (de forma monocrática). A partir da decisão da audiência desta quarta (13), as partes envolvidas (seja de defesa ou de acusação) poderão impetrar um recurso ao Superior Tribunal Militar (STM), que é a segunda e última instância da Justiça Militar.

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