Morte de policial embasou ocupação no Salgueiro, aponta relatório da PM

Informação está no relatório da operação que deixou nove mortos em comunidade de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio

Stéfano SallesThayana Araújoda CNN

No Rio de Janeiro

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O relatório interno do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, sobre a operação que terminou com nove mortos no Complexo do Salgueiro, no último domingo (21), em São Gonçalo, afirma que a morte do sargento Leandro Rumbelsperger da Silva, na véspera, foi uma das justificativas para o início da ação.

O dado aparece no campo “justificativa da absoluta excepcionalidade da operação”. O item existe porque o Rio de Janeiro está sob efeitos do julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A norma estabelece restrições para a realização de operações policiais em favelas do estado durante a pandemia de Covid-19. Elas podem ocorrer, desde que em casos excepcionais e se comunicadas previamente ao Ministério Público (MP-RJ).

O órgão confirmou ter recebido a informação por parte da Polícia Militar. O relatório, obtido pela CNN, diz:

“A injusta agressão resultou na morte do segundo sargento da Polícia Militar 83.225 L.R.S., tornando-se imperiosa a atuação dessa Unidade Especial a fim de restabelecer a ordem na área conflagrada em questão, busca identificar e prender os responsáveis pela morte do agente da lei e providenciar a retirada em segurança dos policiais que permanecem no interior da comunidade”, diz um trecho da justificativa.

O documento cita ainda outros detalhes da ação, como a participação de 75 policiais do Bope. O objetivo descrito é o de “reprimir ações de ataque às viaturas policiais de serviço”.

Também foi citada a frota utilizada na operação: incluiu dois veículos blindados para transporte de pessoal e de uma ambulância. O último veículo seria utilizado “para socorro imediato de policiais e civis, caso haja necessidade”, aponta o relatório, assinado pelo major Carlos Eduardo da Silveira Monteiro, do próprio Bope.

Contudo, os corpos dos mortos foram encontrados no manguezal da comunidade, e foram removidos manualmente da área alagada por vizinhos e familiares, o que resultou em críticas de moradores e de entidades de defesa dos direitos humanos.

As armas dos policiais envolvidos na operação foram entregues na quarta-feira (24) à Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, para a realização de perícia. Foram oito fuzis, entregues três dias depois da ação.

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