Movimentos alertam para discussões sobre gordofobia

Mais de 60% da população brasileira está acima do peso

Danúbia BragaIsabela Filardida CNN

Em São Paulo

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Um preconceito disfarçado de preocupação com a saúde, a gordofobia pode vir num comentário que parece inocente, mas pode estar também em uma ofensa e até na exclusão social e profissional de quem está acima do peso, situações que deixam marcas e precisam ser combatidas

A modelo Rúbia Ponik, por exemplo, afirmou que sempre foi uma criança e uma adolescente gordinha. Já a gestora comercial Rosana Alves começou a ganhar peso depois da gravidez.

Em meio a tanta pressão, a empresária Renata Poskus decidiu criar um dia de modelo para valorizar a beleza de cada mulher.

“Minha mãe, por exemplo, queria ir em uma formatura e não podia porque não encontrava roupa de festa do tamanho dela… Tinha piadas, ofensas que mulheres gordas próximas a mim passaram”, contou Renata.

“O que me dá mais prazer é ver uma mulher que está se sentindo infeliz com seu próprio corpo passar por uma transformação e sair de lá se sentindo linda”, completou a empresária.

Combate à gordofobia

A gordofobia está presente não apenas nas ofensas, mas em detalhes, como no transporte público ou no ambiente de trabalho sem preparo para acomodar pessoas gordas.

A médica e ativista do Movimento Gorde, Ale Mujica, conta que a ideia do movimento é ser coletivo, pensar nos direitos relacionados à saúde, à acessibilidade, aos espaços, ao transporte público e à empregabilidade.

Combater a gordofobia é deixar de lado comentários e atitudes que podem machucar alguém. Entre elas, evitar identificar uma pessoa pela forma física, não associar alguém gordo a um fracassado por não ter emagrecido e evitar termos como “fofinho” ou “maiorzinho”.

Eliana Chican sempre teve dificuldade em achar roupa para seu ex-marido e seu filho, tanto em tamanho quanto em estilo. Por essa razão, ela decidiu montar sua própria loja plus size.

Entender que todos os corpos têm a sua beleza e que ninguém precisa ser refém de padrões é o caminho para o movimento de uma sociedade mais plural.

“Eu sou a rúbia hoje com 95 kg, feliz, que se acha bonita, que se veste bem, que se maquia não para os outros, mas para mim… Esse amor próprio que eu tenho acaba transcendendo, as pessoas percebem isso e acabam até me achando bonita também, coisa que eu nunca achei que aconteceria”, finalizou Rúbia.

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