MP vai investigar denúncia de tortura de suspeito preso por desaparecimento no Amazonas

Amarildo da Costa de Oliveira disse em audiência que sofreu violência dos agentes que o prenderam

Carolina Figueiredo, da CNN, São Paulo
Compartilhar matéria

O suspeito preso deste a quinta-feira (9) em Manaus por suposta participação no desaparecimento do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Araújo em Atalaia do Norte, no Amazonas, disse que foi torturado quando foi preso na quarta-feira (8) por agentes da força tarefa que foi montada para localizar a dupla desaparecida. O Ministério Público do Estado do Amazonas vai investigar a denúncia.

Amarildo da Costa de Oliveira foi preso em flagrante com material bélico e drogas. Durante as investigações, a Polícia Federal pediu à Justiça a prisão do suspeito, que declarou em sua audiência de custódia na quinta que sofreu violência dos agentes durante sua prisão. A informação sobre a denúncia do suspeito foi divulgada primeiramente pela Agência Pública e confirmada pela CNN.

"A defensora pública Thatiana David Borges, do Polo do Alto Solimões, que atuou em favor do pescador na audiência de custódia, ante à renúncia dos seus advogados, solicitou que o relato fosse investigado.  A juíza Jacinta Silva dos Santos determinou que o Ministério Público do Estado apure os eventuais maus tratos e/ou tortura", de acordo com a nota da SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas), que também vai apurar o caso.

Participam das buscas e investigações sobre o desaparecimento do indigenista e do jornalista no Amazonas, além da Polícia Federal, o Exército, Marinha, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e demais equipes da Secretaria de Segurança Pública. As forças formaram um gabinete de crise para a operação.

Análises de material

Na sexta-feira (10), as equipes que integram a operação em busca Pereira e Phillips, localizaram “material orgânico aparentemente humano” no Rio Itaquaí, próximo ao porto de Atalaia do Norte.

O conteúdo foi encaminhado para análise pericial pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal. Também serão periciadas no instituto amostras de sangue encontradas na embarcação de Amarildo na quinta-feira.

Para comparar com o sangue identificado, os agentes coletaram material genético de referência de ambos os desaparecidos.

A dupla está desaparecida desde o último domingo (5). Segundo a União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Phillips seguia para uma localidade chamada Lago do Jaburu para entrevistar indígenas, acompanhado do brasileiro.

(Publicado por Carolina Farias)