MP vai requisitar detalhes do planejamento policial para operação no Jacarezinho

O plano de voo do helicóptero blindado também será solicitado pelo MP para a investigação; órgão apura se houve violações a direitos durante a ação

Thayana Araujo, da CNN, no Rio de Janeiro

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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro vai requisitar nesta segunda-feira (10) todo o planejamento feito pela Polícia Civil para atuar na comunidade do Jacarezinho, na Zona Norte do RJ. O MP informou à CNN que também vai pedir o plano de voo do helicóptero blindado, usado no dia da operação para entender qual foi a estratégia pensada para que os acessos a uma região tão complexa fossem ocupados de forma segura e com fins de evitar o confronto direto. 

À CNN, o delegado Rodrigo Oliveira, subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil do RJ falou sobre a preocupação com locais da operação, próximos de escolas, trem e sobre a avaliação que os investigadores fazem para saber se vale o risco:

“A gente trabalha de forma técnica e não com emoção. O policial tem compromisso com cada disparo que ele faz. Nós temos imagens, que irão fazer parte dos autos dessa investigação, com diversas casas sendo alvejadas a ermo, eles (traficantes) simplesmente atirando em qualquer direção, inclusive jogando granadas no percurso dos policiais, isso já foi até difundido.”

Questionado pela CNN sobre as condições que a polícia tinha para operar naquela quinta-feira, no Jacarezinho, o delegado foi assertivo: “todas as ações da Polícia Civil são baseadas num tripé. Primeiro, se produz a inteligência, depois a investigação e, por fim, a ação. Os 21 mandados de prisão foram deferidos na sexta-feira anterior. Nós esperamos o momento exato, a hora certa e fizemos a incursão.”

Os promotores de justiça estiveram no Jacarezinho no dia da operação mas pouco conseguiram fazer já que ambiente era de tensão e com a operação ainda sendo finalizada. Também nesta segunda, o Ministério Público começa a atuar diretamente em conjunto com a Defensoria Pública. Ambos os órgão apuram as denúncias de excessos por parte dos agentes ao longo da operação.   

Na última sexta-feira (06) o Ministério Público enviou peritos próprios para acompanhar a necropsia nos 27 mortos durante a ação policial. O médico legista teve acesso integral às dependências do Instituto Médico Legal (IML) e o trabalho de identificação de todos os corpos que só terminou no fim da tarde de sábado (08), mais de 48 horas após os confrontos.

A 1ª Promotoria de Justiça Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro instaurou um procedimento de investigação criminal para apurar se houve violações a direitos e as circunstâncias das mortes de 27 pessoas durante a operação da Polícia Civil contra o tráfico de drogas, realizada na última quinta-feira (06) no Jacarezinho.

No total, 28 pessoas morreram, dentre elas está um policial civil atingido nas primeiras horas da incursão, quando desembarcava do blindado da corporação. “Todas as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis em decorrência dos fatos ocorridos estão sendo tomadas pelo MPRJ”, diz.

A operação ocorrida nesta quinta-feira (6) deixou pelo menos 25 mortos
A operação ocorrida nesta quinta-feira (6) deixou pelo menos 25 mortos
Foto: Vanessa Ataliba/Zimel Press/Estadão Conteúdo

 

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